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Resenha: mais uma nota máxima para o novo álbum do Almah no Brasil

Resenha de CD originalmente publicada pelo blog Road to Metal

Por Gabriel Arruda

Quando admiramos algum artista que marcou uma época e gerações de fãs, a primeira coisa que a pessoa gosta de recordar é da fase mais significativa desse artista. E ver a trajetória do vocalista desta banda é algo um tanto interessante, pois o mesmo, de primeiro momento, viu a luz do sucesso diante do renascimento do Angra, tendo a árdua missão de substituir o Andre Matos e, logo de cara, já gravou um dos clássicos absolutos da carreira e da própria banda, “Rebirth” (2001). Mas o tempo foi passando: pressões, dúvidas e transtornos, fizeram com que ele mudasse totalmente a sua direção vocal, optando, em 2012, por sair do grupo que o levou ao reconhecimento no Heavy Metal nacional e mundial, preferindo remodelar a sua carreira por completo e seguir fazendo música com sua própria banda. A escolha foi sutil e certeira, e Edu Falaschi, que já está à frente do Almah há 10 anos, traz a atmosfera inicial da sua carreira no 5º disco da banda, “E.V.O”.

Com o lançamento mundial marcado para o dia 23 de setembro, nós, do Road To Metal, graças a Test Your Metal e a MS Metal Records, tivemos o privilégio de receber, em primeira mão, todas as músicas que fazem parte deste trabalho. E logo na primeira audição, já temos a certeza que o disco vai contagiar os fãs de Edu e da sua fase no Angra, conforme afirmei na última frase do parágrafo acima, pois as voz do Edu, diria está revigorada, seguindo o estilo e aquele alcance vocal dos tempos do “Rebirth” e até mesmo no Symbols, explorando regiões mais altas e limpas, mantendo sempre a tradição de imprimir harmonia e melodia através de um instrumental rico, diversificando momentos que ora são mais melódicos, ora melancólicos e pesados, o que acaba fazendo o ouvinte prender a atenção a  cada faixa do disco.

A produção, de costume, vem do próprio Edu, onde algumas partes foram gravadas no IMF Studio, de propriedade do irmão Tito Falaschi, sendo que a mixagem e a masterização ficou a cargo do americano Damien Rainaud (Fear Factory, Dragonforce, Baby Metal entre outros), que já trabalhou anteriormente com a banda no “Unfold” (2013). E não há nada escondido ou irrelevante na sonoridade, pois aqui fica claro e evidente que a proposta musical do Almah não tem fronteiras, tornando o disco perfeito para ouvir alto e em bom som.  A capa, pelo artista Carlos Fides, aborda o conceito da ‘Era de Aquarius’ dentro da mitologia grega, que é retratada nas letras de cada faixa.

Recapitulando o que foi dito anteriormente, o Almah vem comemorando os seus 10 anos de existência, mas ainda não teve muitas oportunidades de tocar em lugares maiores, exceto o show do Rock In Rio, em 2013, tocando para mais de 80 mil pessoas. E acredito eu, que com o “E.V.O”, a banda vai alçar uma mudança de patamar e se firmar de vez como um dos principais nomes do Metal nacional e mundial. O novo álbum traz mais uma vez  novidades no seu line-up, que são Diogo Mafra (guitarra) e o Pedro Tinello (bateria).

De inicio, méritos totais para a faixa de abertura, que mostra muito bem o que nos espera em termos de qualidade, “Age Of Aquarius”, tem um inicio bem suave e sereno com belas melodias, mas depois explode com riffs rápidos e certeiros, destacando, claro, as linhas vocais do Edu, que atinge notas mais altas e precisas praticamente em boa parte da música; “Speranza” traz uma atmosfera contemporânea, flertando com o Pop, algo que o Edu e a banda costumam colocar nas suas músicas, ficando nítida a influência de Coldplay e de outros nomes atuais, ganhando um toque especial com os corais de crianças.

De costume, sempre há uma balada em todos os trabalhos do Edu, e sempre são bem feitas. E “The Brotherhood” é mais uma pra entrar na coleção de clássicos do artista, prometendo, pra quem tem um lado mais sensível, mexer com o coração, e remete um pouco a emoção que o Avantasia expressa nas suas músicas. E pelo nome, já da pra sacar que a música é dedicada ao seu irmão, Tito Falaschi; “Innocence” é caracterizado pelo peso e cadencia vindo das cordas do Marcelo Barbosa e do Diogo Mafra, ganhando ainda mais força com os timbres ferozes de baixo do Raphael Dafras, sem contar o refrão contagiante.

“Higher” transborda um clima mais Melodic Rock/AOR, cortesia do ótimo trabalho de teclados e backing-vocals, imprimindo vocais mais limpos, melódicos e algumas pitadas de música brasileira; o clima Pop volta a aparecer em “Infatuated”, que flerta com um ambiente alto astral e pra cima, possuindo um solo marcante do Diogo. E ela ficaria bem sendo trilha sonora de algum filme romântico com um final feliz; “Pleased To Meet You” engloba aspectos progressivos, mas o que avulta é a densidade das guitarras, que são o carro chefe nesta música. O refrão épico e os teclados dão ainda mais requintes e beleza pra ela, assim como a “Final Warning”, que segue o mesmo terreno da anterior.

“Indigo” traça novamente as nuances mais modernas da banda, sabendo acoplar perfeitamente a linguagem Pop dentro do Heavy Metal, com linhas vocais marcantes e refrões aveludados; pra quem adora o “Motion” (2011), “Corporate War” remete a consistência sonora daquele disco, com ares mais sombrios e azedos, refletindo muito que o Alice In Chains fazia nos anos 90; “Capital Punishment” encerra o disco até de forma rudimentar, mas poderia ser facilmente a faixa de abertura do disco. E com certeza é uma das faixas que vai explodir e cair bem ao vivo, com os tradicionais coros e o andamento simples e direto, mas que empolga com a adrenalina que transmite.

“E.V.O” mostra que a genialidade do Almah não tem limites e barreiras, e é garantido que o disco vai figurar tranquilamente entre os melhores de 2016, tornando-se também mais um trabalho essencial da carreira do Edu Falaschi. Então, para os mais curiosos, sintam-se preparados e bem vindos para ‘A Era de Aquarius’.