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Resenha: agora é a vez do Brasil Metal História evidenciar o tributo à Edu Falaschi no país

Resenha de CD originalmente publicada pelo portal Brasil Metal História

Por Leandro Coppi

E eis que o tão aguardado primeiro volume do álbum gravado em tributo a EDU FALASCHI, sabidamente um dos nomes mais consagrados da história do Heavy Metal brasileiro, aqui e lá fora, está saindo do forno. São vinte e cinco anos de uma respeitável carreira internacional, consolidada e eternizada através de álbuns de qualidade indiscutível, seja com qual banda for, o que justifica uma homenagem desse porte – que por sinal é merecida e muito bem vinda.

Claro que, para um projeto dessa magnitude, o mínimo que se esperava das bandas participantes era qualidade e bom gosto, em suas respectivas gravações. E esses requisitos foram alcançados, pois, de modo geral, em “A New Lease Of Life: 25th Anniversary Tribute – Volume 1”, temos homogeneidade e versões irrepreensíveis. O cuidado e o capricho desse compilado pode ser percebido desde a belíssima arte gráfica, que foi desenvolvida pelo renomado Carlos Fides (Almah, Noturnall, Kamelot e Evergrey), e também no acabamento dado na mixagem e masterização por Tito Falaschi (irmão de Edu) – que também conduziu a direção musical e artística -, no IMF Studio (Instituto Musical Falaschi).

Mas, claro, como o material dispõe de produções distintas, de faixa para faixa, já que ficaria logisticamente difícil para que todas as bandas gravassem no mesmo estúdio, há uma música ou outra que ficou um pouco inferior à grande maioria. Exceto pelo Mitrium e pelo Venus, este primeiro volume faz um apanhado de grandes músicas gravadas por Falaschi no Almah, no Angra e até mesmo no Symbols, através de diversas bandas e artistas que constituem o cenário atual da música pesada brasileira, além de algumas atrações internacionais.

Tomo a liberdade de fugir da padronização das resenhas do Brasil METAL História, para sua melhor compreensão das faixas que compõem esse tributo. Vamos a contextualização?

EVE DESIRE / “Angels Will Arise Again” – A ideia para a abertura foi genial, pois se trata de uma curta e belíssima introdução orquestrada, e não sob efeitos de estúdio. A dupla Arya Medeiros e Cappia, que juntos formam o Eve Desire, conseguiram em pouco menos de dois minutos ser objetiva e criar um clima que agradará em cheio, principalmente os fãs de New Age e trilhas sonoras cinematográficas.

SOULSPELL (Feat. TIM “RIPPER” OWENS & RALF SCHEEPERS) / “Spread Your Fire” (Angra) – Contrastando com a calmaria da introdução “Angels Will Arise Again”, a renomada Metal Ópera que atende por Soulspell, ataca de “Spread Your Fire”. Tão veloz quanto a original, sendo que o mais legal é que o grupo fez um trabalho vocal incrível, inclusive nos coros épicos, tendo a frente os consagrados Tim “Ripper” Owens (Judas Priest, Iced Earth, Yngwie Malmsteen) e Ralf Scheepers (Primal Fear, Gamma Ray, Tyran’ Pace) nos ‘lead vocals’, enquanto que Daísa Munhoz mandou muito bem nos líricos.

MELYRA / “Living And Drifting” (Almah) – As cariocas do Melyra apresentaram uma das versões mais agradáveis do álbum, justamente para uma das músicas mais legais do Almah. A banda soube manter a levada, só que extraiu parte do clima moderno que a música tem, subtraindo os teclados da música original e substituindo-os por um pouco mais de ‘punch’. Isso sem contar que o vocal de Mariana Figueiredo – que já não faz mais parte da banda -, deu ainda mais charme para essa versão. Quanta personalidade dessas garotas!

NANDO FERNANDES / “Heroes Of Sand” (Angra) – Nando Fernandes (Cavalo Vapor, Hangar, Shining Star) dispensa apresentações, pois quem acompanha o cenário nacional sabe de seu potencial. Seguro de seu talento, o vocalista acertou a mão quando se desafiou a cantar essa que é um dos grandes clássicos do Angra, na fase Edu Falaschi. Com uma parede instrumental soberba, Nando a interpretou de forma bastante emocional e cativante. Em certos momentos, chega a ser perceptível certa influência de Melodic Rock e de AOR em sua voz. Para aqueles que têm a mania de fazer comparações, essa sem dúvidas foi uma das músicas que mais atingiram o nível da original, tanto na questão instrumental, quanto vocal. Classe A!

ALEFLA / “Golden Empire” (Almah) – Mais ‘soft’ do que a original do Almah, a versão do Alefla ganhou um ar positivamente despojado, graças, principalmente, à combinação da doce voz de Fla Moorey com a do guitarrista Alexandre Nascimento. Suave, viajante, progressiva e mais cadenciada, essa releitura soa bem relaxante e tem um solo ainda mais melódico do que o que foi feito no homônimo álbum de estreia do Almah, lançado em 2006. Desprendida de similaridades, o diferencial adotado pelo Alefla foi apostar na sensibilidade.

TITTA TANI / “Bleeding Heart” (Angra) – Titta Tani é outro artista internacional a contribuir com esse tributo. A tarefa de se cantar uma música do quilate de “Bleeding Heart” é bem complicada, pois, na voz de Edu Falaschi, ela ganha uma carga emocional que é difícil de ser reproduzida, porque nesse caso não conta só o talento, mas também o sentimento que o brasileiro descarregou sobre a canção. Mas o cantor (e baterista) italiano chegou perto e, com toda a certeza, sua voz agradará. Algo muito bonito na versão de Titta são os coros femininos da backing vocal Giorgia Zaccagni, que aparecem ao fundo, de forma sutil e inteligente.

LETHAL RISING / “Magic Flame” (Almah) – Pouco menos explosiva do que a do álbum “Fragile Equality” (2008) do Almah, a versão dos recifenses do Lethal Rising percorre uma área mais pertinente ao Prog Metal e ao Heavy Metal Melódico, pois, não é tão pesada e nem tão moderna quanto a outra. Mas isso não a desmerece, pois a qualidade técnica do Lethal Rising é gritante, tanto que o grupo teve personalidade o bastante para inserir o seu próprio molho à essa música.

MR. EGO / “The Course Of Nature” (Angra) – A versão do Mr. Ego, veterano grupo paulista, que em outros tempos teve Eloy Casagrande do Sepultura castigando os tambores, apresentou uma atuação que não foge muito da música original, encontrada no álbum “Aurora Consurgens” (2006). Sendo assim, espere por um instrumental intrincado e altamente técnico. Mas o destaque fica mesmo é para a performance do vocalista André Ferrari, que antes de assumir o microfone do Mr. Ego, teve passagem pelo Eyes Of Shiva.

THE BRAINWASH MACHINE / “Spirit Of The Air” (Angra) – Diretamente da Colômbia, o The Brainwash Machine optou por essa música que está presente originalmente no álbum “Aqua” (2010), do Angra. A música até que possui algumas diferenças, como nas partes, por exemplo, onde os violinos são substituídos pelo piano e a percussão é abordada sob outra perspectiva. No mais, nada de tão diferente foi apresentado. Mas o grupo tem qualidade. Destaque para o vocal de Andrés Ramírez.

HEAVIEST / “Warm Wind” (Almah) – O Heaviest, nova sensação do cenário paulistano, que acaba de lançar “Nowhere”, seu álbum de estreia, ao contrário das outras bandas participantes, que optaram por pegar leve em relação as versões originais, foi na contramão e inseriu ainda mais peso para “Warm Wind”, do Almah. Nada muito exagerado, mas ainda assim, pesado. Um exemplo disso foi o descarte dos violões, preteridos por uma pegada bem Heavy. Quanto ao vocal, o que dizer se tem o “selo de qualidade Mário Pastore”?

VALIRIA / “Introspection” (Symbols) – O quarteto paulistano de New Metal, Valiria, foi uma das raras exceções desse tributo em que a produção ficou devendo. Há um exagero na “sujeira” e as guitarras ficaram demasiadamente “ardidas”. Mas o som ficou interessante por destoar do original, com um groove diferente. O mais legal é que se Laíz Tomaz não tem a agressividade vocal de Edu nessa música do Symbols, ela compensa mostrando uma forma de cantar, digamos, lisérgica, que casou muito bem para essa roupagem dada pela banda.

FROST VALLEY / “You Gotta Stand” (Almah) – Só pelo riff inicial, que difere uma versão da outra, o Frost Valley já merece elogios, pois gruda na mente. Não ficou com o ‘punch’ da versão original, mas ganhou uma cara mais ‘rocker’, principalmente pelo vocal áspero de Yuri Kufa. Os solos de Rodrigo Venâncio também ficaram bem legais. Há um quê de Southern Metal aí.

SANTAREM / “What Can I Do?” (Symbols) – Sem fazer uso da introdução ao teclado, o Santarem optou por uma abertura acústica, que fica ainda mais bonita quando entra o vocal limpo e bem melódico do talentoso Thiago Scataglia. O baixo encorpado de Guilherme Furlan deu um sabor a mais a essa versão de “What Can I Do”, música que integra o homônimo álbum de estreia do Symbols, lançado em 1998.

TCHANDALA / “Scream Of People” (Symbols) – Foi a primeira música que conferi deste trabalho, justificavelmente por achá-la a mais legal da carreira de Falaschi. Coincidentemente, acabou sendo a que mais gostei. A original do Symbols possui uma aura sinistra que foi mantida, mas o sergipano Tchandala ainda criou uma introdução sombria que combinou perfeitamente. As guitarras pesadas e melódicas de Thâmise Ducci e Will Moreira – que também tocou o teclado -, se destacam. O baterista Pablo Rubino teve a ótima ideia de encaixar um ‘cowbell’ no pré-refrão e isso ficou demais. Mas o destaque principal é o vocal de Dejair Benjamim, que lembra bastante o de Zak Stevens (Circle II Circle, Savatage). Impecável!

APHRODITTE / “When And Why” (Almah) – Em 2015, o Aphroditte gravou seu ‘debut’, “Masquerade Ball”, tendo o próprio Edu Falaschi como produtor. Nesse tributo, o grupo brasiliense fez uma das versões mais ousadas. Ao invés da estrutura acústica da original, meteu os instrumentos na tomada e ao lado do Tchandala, Heaviest, Titta Tani, Nando Fernandes, Melyra, Alefla e Soulspell alcançou um dos melhores resultados. E o que canta essa tal de Winnie Farias é um absurdo! O grupo incumbiu-se do encerramento e o fez de forma surpreendente!

Vale dizer que o ano de 2016 tem tudo para ser um dos mais marcantes na carreira de EDU FALASCHI, pois, além desse belíssimo tributo que recebeu, que já tem a segunda edição anunciada para ser disponibilizada no segundo semestre do ano, o vocalista está prestes a lançar o álbum “Moonlight”, que trará versões acústicas das músicas mais representativas de sua carreira, e, como anunciado, o material está sendo arranjado com piano, violão e orquestra, o que resultará em uma mistura de Rock, Jazz, Clássico e Música Popular. Além disso, os fãs do Almah podem se preparar, pois também vem disco novo por aí. Está bom ou quer mais?