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Resenha: confira primeira avaliação para o novo EP da banda carioca Pagan Throne

Resenha de CD originalmente publicada pelo blog Heavy Metal Thunder

Por Marcos Garcia

Nota: 09.6/10.0

Introdução: Quando se fala em Viking Metal e Pagan Metal, poucos têm a percepção que ambos os estilos são extremamente próximos. O Viking Metal nasce nas mãos do BATHORY em “Blood Fire Death”, enquanto o Folk/Pagan Metal tem suas origens no SKYCLAD com “The Wayward Sons of Mother Earth”, e o tempo foi criando a convergência de ambos ao ponto de não ser incomum vermos bandas de cada vertente usando elementos da outra. Nisso, o quinteto PAGAN THRONE, da cidade do Rio de Janeiro, mostrou-se sempre um baluarte, tendo que seu novo trabalho, “Dark Soldier”, nos brinda com algo realmente fantástico.

Análise geral: Quem conhece a banda desde “The Way to the Northern Gates” (de 2010) consegue ter a percepção de quanto evoluíram a cada lançamento, de quanto a crueza e estética agressiva original foram sendo temperadas com influências musicais diversificadas. E em “Dark Soldier”, eles deram um passo adiante: se já se mostravam mais inclinados a algo mais melodioso com influências de Pagan Metal no álbum “Swords of Blood” (de 2015), e no EP “Pagan Empire – Against the Usurpers of the Throne” (2017) já mostravam a adição de elementos Folk, agora se percebem orquestrações grandiosas, corais épicos, melodias mais soturnas em alguns pontos, mas sempre tendo em vista suas origens extremas. Pode-se dizer que o trabalho do PAGAN THRONE cada vez mais soa pessoal, se diferenciando de tantos outros grupos que são ouvidos todos os dias.

Arranjos/composições: Se por um lado o grupo não cria nada que seja extremamente complicado em termos técnicos, é diversificado, já que não ficam presos a padrões pré-estabelecidos. Desta forma, a música do grupo soa espontânea e cheia de energia, mas com uma beleza incrível. Os vocais ficaram mais diversificados em termos de timbres (o uso dessas variações ficou ótimo), as guitarras estão fundindo bem os aspectos extremos e melodiosos em seus riffs (e esbanjando melodia nos solos, algo bem incomum em termos de Black Metal), baixo e bateria estão criando uma base rítmica sólida e bem trabalhada, e os teclados agora não fazem apenas acompanhamento, mas criam ambientações ótimas. Além disso, existem melodias com certo toque de Ethnic/Oriental Metal (que são evidentes no início de “Empty and Cold”), dando diversidade ao que já era de alto nível. E como a transição de tempos e dinâmica entre os arranjos é espontânea.

Qualidade sonora: Pode-se dizer que o grupo buscou renunciar aos modelos usados para gravações/produções de discos de Metal extremo, mantendo os aspectos crus apenas na timbragem dos instrumentos. A produção acertou a mão ao criar algo limpo e pesado, obedecendo ao que as canções precisavam, e não as adequando a moldes pré-determinados. Pode-se aferir que Rafael Ribeiro fez um trabalho e tanto ao cuidar da produção, mixagem e masterização do disco.

Arte gráfica/capa: A arte é do vocalista Rodrigo Garm, e diferente dos discos anteriores, ela busca algo mais soturno, simples, e extremamente subjetivo. Algo que se encaixa com o título do EP em várias interpretações possíveis, e que contrasta com as canções.

Destaques musicais: O EP contém 3 canções novas, todas elas excelentes, e que valem a aquisição do disco.

“The Rise of the Golden Empire”: É uma introdução climática, com maior enfoque nos teclados e corais, mas com a bateria dando aquele toque ritmado bem feito.

“Dark Soldier”: Uma canção rica em detalhes e boas mudanças de andamento. As partes de piano se encaixam como uma luva, e as ambientações épicas criadas pelos corais são excelentes, sem mencionar que baixo e bateria excelentes.

“Empty and Cold”: As influências de algo mais voltado ao Ethnic/Oriental Metal são evidentes em seu início, e seu andamento não tão veloz assim prioriza uma ambientação melódica e alguns momentos mais introspectivos/Folk. Os vocais acompanham bem esta evolução, com timbres variando entre algo mais limpo e outros timbres agressivos não muito extremos.

“Prelude to a Dark Sun and Blood Moon”Outra intro climática, feita em teclados e pianos, apenas mais densa e melancólica.

“Ascensão ao Poder do Sol”: Essa é cantada em português (a primeira vez que o grupo usa de tal expediente), com uma pegada mais cadenciada e ambientação focada em algo mais “horror story”, e com os teclados fazendo um ótimo trabalho, bem como as guitarras (e a dinâmica entre ambos ficou excelente). É a canção do EP que faz a ligação entre o passado mais extremo e o futuro mais melodioso e épico que parece promissor.

O EP ainda tem as versões orquestrais para Dark Soldier” e “Empty and Cold”.

Conclusão: O PAGAN THRONE anda bem ativo, se recusando a se encaixar no modelo de 1 disco a cada 2-3 anos, e “Dark Soldier” vem para deixar os ouvintes ansiosos pelo novo “full length” do grupo. Até lá, o EP mata a ansiedade.