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Resenha: debut álbum da banda The Cross volta a ser destaque no portal Whiplash

Resenha de CD originalmente publicada pelo portal Whiplash

Por Bruno Rocha

Nota: 09.0/10.0

Em um recente show da banda THE CROSS, o vocalista Eduardo Slayer, com toda autoridade, comenta: “Quando as pessoas aqui no Brasil não sabiam nem que porra era Doom Metal, a gente já fazia esse tipo de música.”

A banda baiana THE CROSS ostenta o título de ‘primeira banda de Doom Metal da América Latina’. Também pudera: o grupo foi fundado em 1990 na bela cidade de Salvador e continua em atividade até hoje. Sob duras penas, note-se. Com separações e retornos, o vocalista Eduardo Slayer, do alto de seus 51 anos de idade, se mantém no desafio de fazer Doom Metal frio e sombrio nas terras quentes do nordeste com sua banda.

Com a ótima recepção crítica do EP “Flames Through Priests”, em 2015, os fãs de Doom Metal ficaram ansiosos a espera do primeiro full-length do THE CROSS. A espera enfim acabou e os ditos fãs se sentem agora saciados com o belo disco lançado pela instituição baiana, via gravadora Eternal Hatred Records.

O trabalho autointitulado é o primeiro disco cheio do THE CROSS desde sua fundação. A primeira faixa, “Cold is the Night Beyond Death”, é curta e funciona mais como uma introdução, mas já entrega o que virá pela frente ao longo do play: ritmo lento, riffs gélidos bebidos das melhores fontes do Doom e os vocais à lá Black Metal do guerreiro Eduardo Slayer.

O álbum todo parece trabalhar em uma formidável unidade, alternando de forma perspicaz momentos agressivos, onde as guitarras, baixo e bumbos de bateria querem arrancar sua cabeça, e partes calmas e atmosféricas, com doses de desespero e introspecção. A unidade surpreende tanto, que nem parece que a duração do álbum passa de 60 minutos. Se é para indicar uns destaques, fico com a agressiva “The Last Prayer” (uma oração ao Capeta), o interessantíssimo instrumental de “Resquiat In Pace” (homenagem ao falecido guitarrista Elly Brandão, cujo passamento deu-se em 2016) e a coroação com “Poe’s Silence”.

A ótima produção do álbum faz jus e orna a grandiosidade das músicas, que devem ser sentidas e absorvidas sem interferências alheias. São dignas de nota as atuações de cada integrante. Vocais viscerais e penetrantes de Eduardo Slayer, riffs e bases gélidas e pesadas dos guitarristas Felipe Sá e Paulo Monteiro, bateria técnica e levadas que fogem do lugar comum por parte de Louis e um baixo de timbre gordo que dá gosto de ouvir, responsabilidade de Mário Baqueiro. A bela arte gráfica retrata de forma plástica a atmosfera lúgubre das músicas.

Se no começo dos anos 90 ninguém no Brasil sabia o que era a porra do Doom Metal, hoje sabem. E todo mundo sabe o que é a porra do Doom Metal graças a uma cena unida e fortalecida, iniciada por esta referência que é Eduardo Slayer e sua instituição THE CROSS.