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Resenha: debut álbum do The Cross continua ganhando espaço na mídia especializada

Resenha de CD originalmente publicada pelo blog Metal Samsara

Por Marcos Garcia

Nota: 09.0/10.0

O que chamamos de Doom Metal é visto, na maioria das vezes, apenas como releituras do som que o Black Sabbath fazia em seus primeiros discos. Mas para os que sabem, é um estilo com características próprias, uma vez que bandas como The Obsessed, St.Vitus, Trouble, Witchfinder General, Candlemass e o Pentagram ajudaram a conferir ao Doom Metal uma característica sonora bem própria, e as fronteiras foram expandidas nos anos 90, com nomes como My Dying Bride, Anathema e Paradise Lost fundindo o gênero com Death Metal ou outras formas de expressão musical.

E o Brasil começa a dar frutos ótimos no gênero, uma vez que além do clássico Imago Mortis no Rio de Janeiro, ainda temos o Fallen Idol em São Paulo, e o THE CROSS, um quinteto veterano de Salvador (BA), que nasceu em 1990, mas que começa a ter sequência e lançar seus discos agora. E agora, eles finalmente conseguem lançar seu primeiro álbum, chamado “The Cross”.

Podemos aferir que o THE CROSS mostra um DNA voltado a um meio termo entre o Doom Metal clássico e o Doom/Death Metal de raiz, já que a banda prefere usar os tempos e arranjos do Doom Metal dos anos 80 com vocalizações agressivas, com timbres mais rasgados. E isso gera uma forma de música introspectiva, azeda e bem lenta, mas com um impacto forte, sem mencionar que esses sujeitos estão aqui para mostrar aos mais jovens algumas lições importantes sobre o gênero. E é ótimo!

“The Cross” foi produzido, mixado e masterizado por Marcos Franco e Dan Loureiro, que preferiram uma sonoridade mais raiz e crua, sem muito embelezamento, para preservar o aspecto “old school” da banda. Mas isso não quer dizer que o CD é mal gravado ou que a sonoridade seja ruim, bem longe disso. É uma opção que o grupo tomou para que sua identidade sonora seja preservada. E você consegue ouvir bem os instrumentos musicais separadamente, bem como consegue compreender o que o grupo se propõe a fazer. E como eles são veteranos, e aparentemente nada afeitos à modernidade, a arte gráfica de Marcelo Almeida para a capa reflete justamente esse lado mais de raiz, mais soturno e opressivo, que se encaixa como uma luva no que o THE CROSS quer de sua música.

E é justamente sua música que nos seduz, com esses tempos cadenciados e forte azedume instrumental. É pesado e bruto, mas sempre com um requinte que vem da longa experiência do grupo. E mesmo quando apelam para canções longas (o que é uma característica do Doom Metal e suas vertentes), elas não se tornam enfadonhas de forma alguma.

O disco possui 8 canções fúnebres e soturnas, sendo os destaques as seguintes: o azedume pesado e intenso chamado “The Final Nail In The Coffin” (com um ótimo trabalho de guitarras e arranjos musicais mais simples, mas que tem uma vida toda própria), as fúnebres “The Skull & The Cross” (adornada com belíssimas melodias densas, que reforçam a atmosfera soturna da canção, onde temos mais uma vez ótimos riffs de guitarra, mas agora acompanhados de um trabalho vocal muito bom) e “The Last Prayer” (baixo e bateria mostram uma coesão pesada absurda aqui, fora boas mudanças de ritmo), a rançosa e opressiva “Resquiat In Pace” e suas passagens hipnóticas (com um jeito mais “sabbathíco” denso e deliciosamente pesado), e a fúnebre “Poe’s Silence”.

Um disco de primeira e inspirador, pelo qual os fãs esperaram mais de 20 anos. Mas valeu a pena!