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Resenha: debut álbum do The Cross é avaliado pelo redator baiano Jaime Amorim

Resenha de CD originalmente publicada pelo site MetalVox

Por Jaime Amorim

Eis um álbum ansiosamente aguardado pelos doometalers, pelo menos aqueles que conhecem o estilo e sabem do pioneirismo desta banda baiana em terras de Pindorama. Quebrando o paradigma ditado por alguns incautos que acham que para se fazer Doom Metal o camarada tem que estar com hipotermia, pasmem, mas li isto tempos atrás em um livro muito bom sobre determinada cena metálica do nosso país (onde é comum fazer frio) e ri muito de tamanha asneira.

Sentimentos melancólicos, ansiedade, angustia, insônia, depressão, desespero, falta de fé em si mesmo (a única que devemos ter), esquizofrenia existem em qualquer clima. O THE CROSS imbuído de alguns destes aspectos negativos, que acompanham boa parte da humanidade, nos traz oito odes expondo a fraqueza, mediocridade, pequenez e fragilidade deste ser que se acha supremo, quando na verdade não passa de titica de galinha em sua esmagadora maioria.

Orgulha-me e foda-se a parcialidade neste meu review, quando digo com todo ar de meus pulmões: este álbum é magnífico!!! Sou metalbrother do seu vocalista há décadas, somos dois old bangers marrentos que de vez em quando se bicam e muita gente nos odeia na cena baiana (fodam-se todos vocês, fodam-se), contudo o mentor do THE CROSS foi a pessoa que praticamente me iniciou na apreciação deste estilo metálico que não é para todos, e que se chama Doom Metal. Eduardo “Alcides” Mota foi quem me apresentou o Candlemass, Trouble e Soltitude Aeturnus, vejam a responsabilidade.

Pois muito bem, finalmente ele conseguiu gestar e parir seu rebento, o soberbo álbum “The Cross” e, volto a repetir, verdadeira obra prima de Doom Metal. Como afirmara na segunda entrevista a nós concedida: “inovando sendo tradicional”. Ai você deve estar se perguntando como isto é possível? Bem, os que apreciam o estilo e o acompanha viu e ouviu diversos ícones do mesmo mudarem suas musicalidades e “passearem por outras searas”, com experimentações e sons mais suaves, muitos se afastando e muito do Doom, do próprio Heavy Metal. Particularmente, muitos que o fizeram conseguiram realizar ótimos álbuns, eis ai o mote do THE CROSS, tradição.

Portanto não espere sons suaves para embalar os sentimentos melancólicos de alguns, nada disto. Aqui o que encontrei e confesso que já sabia – acompanhei o processo de composição, as ideias que eram gestadas, ouvi em primeira mão alguns sons ainda não finalizados e outros já prontos – corrobora os adjetivos supracitados. Além do mais é bom lembrar que uma pessoa que viu a morte de frente como o próprio Eduardo (um acidente no seu trabalho quase o faz tombar e lhe deixou sequelas em sua face e braços); o processo de visitar locais onde o sofrimento é uma constante, como sanatórios psiquiátricos e o desenrolar do processo da progressão de um câncer que vitimou o guitarrista Elly Brandão – uma justa homenagem lhe foi prestada no encarte, bastante comovente – dão vazão as letras e sonoridade soturna ora encontrada neste álbum.

Tudo isto é transmitido em mais de uma hora de contemplação deste álbum, absolutamente tudo. Desafio qualquer um que aprecie o estilo após ouvir “The Cross” e não afirmar que é um álbum fudido, se assim fizer é um poser kkkkk. São oito odes como citei anteriormente, mas uma em particular me chama mais a atenção: “The Last Prayer”. Agora fique à vontade para concordar ou não, abaixo tem um link para ouvir o álbum inteiro.