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Resenha: debut álbum do The Cross é destacado no blog brasileiro Arte Metal

Resenha de CD originalmente publicada pelo blog Arte Metal

Por Vitor Hugo Franceschini

Nota: 08.5/10.0

Uma coisa é fato, a banda THE CROSS já é uma vencedora. Afinal, além de ser pioneira dentro do cenário Doom Metal nacional, passou por dois hiatos (com último retorno em 2014), além de ter perdido o guitarrista Elly Brandão no ano passado, que faleceu em decorrência de complicações de um câncer.

E 27 anos depois de sua fundação, o grupo de Salvador/BA (praticamente reformulado) solta seu debut e com a qualidade que sempre lhe foi peculiar. Para quem não conhece, a banda investe no já mencionado Doom Metal, porém alia a sonoridade ao Black Metal e isso gera algo pouco visto atualmente. O clima de suas composições foge daquela aura melancólica ou mística da maioria das bandas do estilo, sendo que neste caso bebe na fonte da maleficência e opta por levadas fúnebres, com riffs longos e cadência constante, com pouca variação rítmica, além de peso na medida certa. O vocal de Eduardo Slayer, fundador da banda, segue uma linha rasgada monocórdia, e casa perfeitamente com a proposta. Os timbres foram muito bem escolhidos, inclusive a distorção proporcional das guitarras e a afinação da bateria que, apesar de não ser muito exigida devido à proposta, faz seu papel muito bem.

Não podemos deixar de mencionar as linhas diferenciadas de baixo de Mario Baqueiro, que aumentam a densidade das composições e se mostram desprendidas do ‘comum’ em certos momentos (ouça a faixa “Garden Of Silence” e confirme isso). A cereja do bolo é a boa produção sonora e uma belíssima arte da capa. Que o THE CROSS continue sua caminhada sem mais hiatos!