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Resenha: debut do Acid Tree continua ganhando espaço na mídia nacional

http://www.msmetalagencybrasil.com/ptbr/wp-content/uploads/2012/03/Capa-Acid-tree-1.jpgResenha de CD originalmente publicada pelo portal Whiplash!

Por Willba Dissidente

O Heavy Metal é um estilo surgido do Judas Priest na segunda metade da década de 1970 que, em linhas gerais e falando em termos grosseiros, é uma simplificação de gêneros que o precedem cronologicamente como o Hard Rock, o Rock Psicodélico e o Hard Rock Progressivo.

Trocou-se arranjos e melodias mais sofisticados por peso e velocidade; porém, muitos conjuntos de Metal buscaram experiências nessas bandas sessentistas e setentistas em suas viagens. Desde o Porcupine Tree no começo dos anos 1990 que o experimentalismo Avant Gard no Heavy Metal é gênero por si só.

Com inspiração de nome e orientação musical no colega inglês, os paulistanos novatos do ACID TREE vem buscando também a junção de Rock Psicodélico e experimentalismo dentro do Heavy Metal. Conheça o primeiro fruto da árvore do ACID TREE, chamado “Arkan”.

Como definir o ACID TREE? Acreditamos que a melhor explicação para a música do powe trio seja “Prog Metal que junta o peso do Metal oitentista com viagens e andamentos setentistas e linhas arabescas em escalas menores”. Ainda assim, o grupo não soa tão parecido com o Porcupine Tree como o Ghost, por exemplo, lembra o Blue Öyster Cult.

O ACID TREE é algo que guarda influências de Otep a Gentle Giant, mas tem essência própria. Não soa datado, mas tem influência passada sem ser excessivamente moderno. É uma banda de Metal com linhas de tempo inusitadas, músicas de longa duração e estruturas complexas que não se esquecem que o Metal deve ter também pelo e velocidade.

Ao colocar o CD para rodar somos agraciados com “Arkan”, a faixa título que já funciona como excelente cartão de visitas do som do grupo. A atmosfera setentista, arabesca, envolve o ouvinte que tem como identificação o Metal mais moderno. Os andamentos e viradas do baterista “shortinhos” são o destaque; a mesmice não existe na seção rítmica do trio. Ivo, o baixista, não deixa por menos com linhas cheias de notinhas e nada de “bife mal passado” (expressão vegana equivalente para feijão com arroz; algo simples de fazer, que qualquer um conseguiria).

Como boa parte da duração das músicas do ACID TREE são em dedilhados e escalas menores, sem esse trabalhado exacerbado na cozinha as músicas correriam certamente o risco de incorrer na chatice. “Arkan” pega pesado no final, com muitas notas altas de guitarra em afinação baixa no solo. “Same Face”, cujo destaque é um solo mais setentista ao final, dá continuidade ao EP. Os vocais de Ed são contínuos, concentrados e na mesma nota. A falta de variação contudo não torna a audição entediante e ajuda o ouvinte a entrar na viagem do ACID TREE; ainda mais pois o vocal tem excelente pronuncia no idioma de Shakespeare (palavra de professor de inglês).

Uma crítica que pode ser feito ao trio é que o fato de todas as músicas começarem lentas e em escalas menores é que elas podem soar muito parecidas a ouvidos não treinados. “Righteous Violence” segue esse tendência, mas brinca um pouco com a estrutura da canção (como o solo ser após o primeiro refrão e a variação de ritmo ser após o terceiro). Inclusive, esse som tem o refrão mais legal do presente trabalho.

“Milestones” é uma rápida introdução para “Adrift” cuja levada soa como o legítimo amalgama do Black Sabbath da época do “Sabotage”, só que menos distorcido, com os primórdios do Radiohead, só que mais pesado. Destaque para as bases lentas sendo embaladas pelo bumbo duplo do baterista Shortinhos. “Caged Sun”, que encerra o EP, é um épico de onze minutos, que não obstante a duração é a canção mais pesada que agradará mais os headbangers tradicionais. Tema de vocal mais variado, ela mantém a viagem setentista, com tempos quebrados a lá King Crimson contrastando com o Heavy Metal. Ela parece que acabará aos seis minutos, depois fica lenta e então segue a quebradeira até o fim.

O EP foi gravado em 2014, solto informalmente em 2015 como Demo (sem label, em tiragem pequena e capa simples), lançado oficialmente em 2017 pela gravadora MS Metal Records. Digno de nota é o encarte de dez páginas que acompanha “Arkan”.

As ilustrações do suíço Niklas Sundin (também guitarrista do Dark Tranquillity) são sombrias e estonteantes, combinando completamente a estética com a música de “Arkan”. Com nomes como Arch Enemy, In Flames e outros no portfólio, a arte do EP já um espetáculo por si própria e valoriza demais o trabalho do ACID TREE. Quem se interessar em adquirir o trabalho deverá contatá-los pelos sites ao fim dessa resenha.

Para 2018 o grupo promete soltar seu primeiro full length, ainda sem data ou título definido. A única coisa que eles garantem é que estará mais pesado, com influências Metal que o presente trabalho; ainda que mantendo a mesma essência etérea.