Contato Anuncie Loja Baixar Distribuidoras Selos Artistas Clipping Assessoria de Imprensa Quem Somos Serviços Agência Home Notícias Joao Duarte J.Duarte Design www.jduartedesign.com
Resenha: novo trabalho da banda gaúcha Finita é avaliado pelo redator Rafael Toledo

Resenha de CD originalmente publicada pelo portal da Shock Radio Web

Por Rafael Toledo

Nota: 09.0/10.0

A banda gaúcha FINITA, neste seu novo trabalho, o EP “Lie”, acaba por subir mais alguns patamares qualitativos na sua carreira. Ainda que o seu debut, “Voices From Sanatorium” (2015), tenha apresentado um grupo ciente do caminho artístico que quer trilhar, neste aqui, tudo soa mais maturado e extremamente bem finalizado. Sendo assim, vamos aos detalhes da obra…

O material tem início com a sorumbática “Holocaust”, a maior dentre todas, com seus quase seis minutos de duração. Entrando na contramão dos que esperavam alguma introdução, que na maioria das vezes só servem pra encher linguiça, ou algo com andamentos rápidos e uso de blast beats, o grupo segue direto ao ponto com uma composição arrastada, contendo nuances clássicas entrelaças à melodias lúgubres, e uma atuação primorosa da vocalista Luana, que alterna com muita propriedade linhas líricas, contrastando com intervenções “rasgadas”, oriundas do Black Metal escandinavo.

O EP segue o seu curso com “Doomsday”, que já se apresenta com andamentos mais rápidos e consistentes do que a sua antecessora. Mas não estamos falando aqui de velocistas como Krisiun e Hate Eternal, desta forma, “Doomsday” está mais para uma canção midi-tempo do que qualquer outra coisa. Nesta, inclusive, vemos mais presente o uso dos teclados, que funcionam tanto para elevar o seu teor clássico, quanto para criar uma climática predominantemente influenciada pelo Dimmu Borgir, de álbuns como “Enthrone Darkness Triumphant” (97) e “Spiritual Black Dimensions” (99).

“Valley Of Shadows” é a mais experimental e, de fato, o ponto fora da curva aqui. Apesar da linha de composição adotada se manter intacta, a FINITA se permite inserir arranjos que, em uma primeira audição vacilante, podem soar desconexos, todavia, se mostram funcionais e que acenderam em mim uma sensação saudosa muito bacana. Impossível não me recordar dos principais álbuns do Disharmonic Orchestra e, da obra prima, “La Masquerade Infernale” do Arcturus. “Valley Of Shadows” é a faixa mais corajosa e que, meio que pode ter aberto as portas, para a banda ousar mais no seu futuro.

A penúltima faixa, “The Fall”, retorna ao clima de “Holocaust”, tendo seu inicio mais intimista conduzido pelas seis cordas de Portela, que servem como cama para Luana apresentar as melhores linhas de voz até o momento. Como canta essa garota, meu deus! Ela se vale de tons mais altos na sua grande maioria nesta, mas o que impressiona é que não me senti cansado ou saturado. Pra você, caro leitor, entender melhor o que tento explicar, basta conferir os melhores momentos dos álbuns “Mandilyon” (95) e “Nighttime Birds” (97), da melhor fase do The Gathering. Aliás, ser comparada à Anneke Van Giersbergen não é tarefa das mais fáceis.

O ponto final da obra atende pelo epíteto de “Ascension”. Aqui a variação rítmica é mais constante, e o uso de vocais guturais e screams ganham mais espaço do que outrora. Difícil imaginar que uma cantora seja tão versátil, dentro de realidades tão distintas. Não sei se foi algo intencional, mas em “Ascencion” a utilização das vozes se inverte, sendo a parte mais lírica ganhando status de coadjuvante, ou seja, quando imaginamos que as maiores surpresas ficaram à cargo de “Valley Of Shadows”, “Ascension” garante a atenção fixa do ouvinte até o fim da audição de todo o conteúdo deste EP.

“Lie” é uma obra concisa, amadurecida e que bebe da fonte de diversas referências do Metal europeu, da saudosa década de noventa. Talvez fãs mais jovens não captem nenhuma das referências que exemplifiquei no decorrer desta avaliação, e não acredito que isso seja um problema, muito pelo contrário. Então, se permita entrar de cabeça na proposta da FINITA, pois a cada audição, acabo descobrindo novas texturas e detalhes, que apenas os mais relevantes compositores têm o tino, para tirar da partitura, e conduzi-las para os nossos ouvidos.