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Resenha: trabalho de retorno do The Cross em destaque no site brasileiro Rock on Stage

Resenha de CD originalmente publicada pelo site Rock On Stage

Por Fernando Júnior

Nota: 07.5/10.0

A veterana banda soteropolitana THE CROSS teve sua fundação em 1990 inspirada por nomes como Black Sabbath, Candlemass, Samael, Morbid Angel, Death e Paradise Lost. Quando a formação se estabilizou próximo do final de 1992, o THE CROSS lançou no ano seguinte o seu primeiro CD Demo, com o título de “The Fall”, que levou a banda a tornar-se mais conhecida no cenário underground, entretanto, a instabilidade em seu line up levou ao encerramento das atividades em 1998, quando estavam preparando a gravação de seu primeiro álbum.

O retorno do longo hiato só aconteceu em 2015 com o lançamento do EP “Flames Through Priests”, com duas músicas inéditas e as três do trabalho de estreia, o EP “The Fall”, como bônus. A formação responsável por este retorno é composta por Eduardo Slayer nos vocais, Elly Brandão e Pedro Maia nas guitarras, Luciano Nogueira no baixo e Alex Rocha na bateria. As gravações do novo registro aconteceram no SD Studio entre março e abril de 2015, sob a condução de Sidnei “Grim” Falcão, que também cuidou dos teclados, e os guitarristas Pedro Maia e Elly Brandão gravaram as linhas de baixo. A capa bem macabra e adequada a proposta Doom Metal do quarteto é do baterista Alex Rocha.

“Cursed Priest” abre o Doom Metal devidamente obscuro e arrastado da banda, em vocais que são bastante raivosos e urrados por Eduardo Slayer, como se esperam e é interessante reparar que o THE CROSS realiza várias alterações no andamento da sua tenebrosa composição. Pouco depois do meio da música temos dedilhados melancólicos, que trazem uma aura maléfica que atravessa uma climatização sombria e macabra, porém, que termina em linhas mais Heavy Metal. Na sequencia temos “Sweet Tragedy”, onde novamente o cadenciado e mais lento ritmo tétrico se faz presente, para que Eduardo Slayer cante expressando todo o dissabor que extrai de seus vocais guturais, que percorrem todas as modificações que o THE CROSS realiza, culminando em um trecho galopante nos riffs dos guitarristas Elly Brandão e Pedro Maia, que exibem também ótimas atuações do baixista Luciano Nogueira e do baterista Alex Rocha. Essa profusão de sons está bastante assustadora e segue assim até retornar à sinistra lentidão de seu princípio.

Depois destas duas recentes e criativas composições, o quinteto nos conduz para as três músicas do EP “The Fall”, citado anteriormente, começando com as falas sombrias de “Flames Of Deceit”, que trazem riffs longos e vocais guturais em uma qualidade de gravação inferior com relação às duas primeiras faixas, porém, como se tratam de um registro histórico para os fãs da banda precursora do Doom Metal no Brasil, vamos esquecer este detalhe e sentir os poderosos solos de guitarras que tomam conta da canção, e recuam aos passos mais arrastados que os urros do vocalista possam finalizá-la.

“The Fall”, que intitula o EP, entra rústica em seus toques de guitarras e colérica em seus berros nos levando a uma atmosfera infernal de andamento cadenciado. Fechando “Flames Through Priests” temos “Scars Of An Illusion”, que até exibe uma interessante introdução, antes das linhas macabras e mais densas, serem incorporadas aos demoníacos urros de Eduardo Slayer e desta forma tomarem conta deste Doom Metal, e isso, devidamente embasado pelos constantes riffs cadenciados de guitarras.

Para as almas impuras, que sentem-se conectadas aos lados mais escurecidos do Doom Metal este “Flames Through Priests” é um convite ao abismo profano e podemos conferir também a evolução do THE CROSS através de suas novas canções comparando com as antigas. Para 2016, o quinteto provavelmente deverá disponibilizar o seu primeiro e aguardado debut, que assim como esta resenha – acredito eu – será dedicado à memória e aos amigos do guitarrista Elly Brandão, que deixou este mundo prematuramente após perder a batalha contra o câncer.