Resenha de CD originalmente publicada pelo portal Fullrock
Por Jeferson di Pádua
Nota: 08.5/10.0
O primeiro álbum da banda de Modern Metal RÄGE chega como um cartão de visitas contundente, deixando claro, logo nas primeiras audições, a proposta direta, pesada e atual do grupo. O disco aposta em uma sonoridade forte, marcada por elementos modernos, muito groove e claras referências ao Metalcore, construindo uma identidade alinhada com as vertentes mais agressivas do Metal contemporâneo. Lançado com exclusividade no formato digital, o trabalho já contabiliza um número expressivo de audições, refletindo a rápida assimilação da banda pelo público e pela cena.
Um dos grandes destaques do álbum está na atuação de Iann, vocalista e baixista, cuja performance se impõe como eixo central das composições. Sua voz marcante, baseada majoritariamente nos screams, sustenta com precisão a sensação constante de urgência que as músicas exigem, ampliando o impacto emocional e a agressividade do repertório. A presença do baixo, integrada aos riffs e às quebras rítmicas, reforça o peso e o caráter moderno do disco.
A faixa-título é, sem exageros, uma verdadeira porrada na orelha. Com estrutura direta, riffs cortantes e uma condução rítmica extremamente agressiva, a música sintetiza a essência do álbum e estabelece o tom brutal que guia todo o trabalho. É um início emblemático, que evidencia a intenção da banda de não suavizar sua proposta e de apostar em impacto imediato.
Já “Guerra” se destaca pela forte presença de grooves e pela utilização da língua portuguesa, potencializando o discurso da letra e tornando a faixa ainda mais próxima da realidade do público brasileiro. A música equilibra peso, dinâmica e refrões de grande apelo, sem abrir mão da agressividade, funcionando como um dos momentos mais marcantes do álbum em termos de identidade e comunicação.
Em “New Death”, a RÄGE flerta diretamente com o Deathcore, apostando em estruturas mais extremas, variações de andamento e passagens densas que reforçam o caráter brutal do disco. O último destaque, “Corpo Seco”, retorna ao português em uma construção que prioriza velocidade e extremismo, com riffs acelerados, bateria intensa e uma abordagem vocal ainda mais agressiva de Iann, encerrando o material em alto nível de intensidade.
A produção do disco é excelente e valoriza cada elemento da banda, garantindo peso, clareza e definição em todas as faixas. A arte da capa, dominada por tons em vermelho, reflete com precisão toda a agressividade sonora do trabalho e se conecta de forma direta com as letras e com a atmosfera proposta pelas composições. Ao final, fica evidente que a RÄGE se consolida como uma das grandes revelações do Modern Metal brasileiro, agregando valor ao cenário nacional e apontando para um futuro extremamente promissor dentro da música pesada.
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