Resenha de CD originalmente publicada pelo site Cultura em Peso
Por Sérgio “Murray” Martins
Nota: 09.0/10.0
A estreia da METALMINATOR com Night of the Exterminator é daquelas que deixam bastante claro, logo nos primeiros minutos, qual é a proposta da banda: resgatar a velocidade, a energia e a estética do Speed Metal clássico, mas sem transformar essa reverência ao passado em uma simples reprodução de fórmulas. Formado em São Paulo em 2024, o grupo reuniu nove faixas e pouco mais de 42 minutos em um álbum que combina a agressividade do Speed Metal oitentista com melodias da NWOBHM, harmonias de guitarras e uma presença nada tímida dos teclados. Em entrevista ao Cultura em Peso, Robby Speed explicou que a banda também bebe do Speed/Power Metal alemão, o que ajuda a entender por que o disco soa mais trabalhado melodicamente do que uma produção estritamente crua do gênero. O resultado é um trabalho assumidamente old school, mas com personalidade suficiente para não parecer apenas uma viagem nostálgica aos anos 1980.
“Into the Storm” funciona como uma espécie de contagem regressiva para o ataque, preparando o terreno para “Speed of Evil”, uma das faixas que melhor traduzem a combinação entre velocidade e melodia buscada pelo quarteto. Robby Speed assume vocais, baixo, teclados e guitarras, enquanto Johnny Grave e João Granado formam a dupla responsável por boa parte do peso e das harmonizações que dão identidade ao repertório. A química entre os dois guitarristas é particularmente importante, já que os riffs velozes ganham outras dimensões quando aparecem acompanhados por dobras melódicas. E existe uma participação efetivamente coletiva nesse processo: Granado, por exemplo, sugeriu a dobra em quinta no início da faixa-título, enquanto André — citado na entrevista como responsável pelas baterias — acrescentou ideias que acabaram modificando estruturas como a pausa depois do primeiro refrão de “Speed of Evil”.
“Rage” é outro momento em que a METALMINATOR mostra que não pretende depender apenas da velocidade para convencer. A música avança com riffs cortantes, bateria acelerada e vocais agressivos, mas encontra espaço para mudanças de dinâmica que tornam a composição mais interessante. D.D. Razor merece destaque justamente por não tratar a bateria como mero instrumento de sustentação: segundo André, várias linhas foram praticamente recompostas durante o processo de gravação, com atenção especial às viradas, conduções, dinâmicas e mudanças de groove — algo perceptível também em “Lady Killer”. “Eyes of the Future”, por sua vez, acrescenta uma camada mais melódica ao repertório e ajuda a evidenciar a influência da NWOBHM. Essa variedade faz diferença porque impede que um disco baseado em Speed Metal se transforme em uma sequência homogênea de riffs disparados em alta velocidade.
Se “Golden Years” e “Night of the Exterminator” chamam atenção pelas durações mais extensas — 7min08 e 7min36, respectivamente —, “Tiger Hot Girls and Rock ‘N’ Roll” representa o lado mais descontraído e irreverente da banda. A faixa já havia sido apresentada como single e funciona como uma espécie de válvula de escape dentro de um repertório essencialmente veloz. A faixa-título, entretanto, é onde a proposta conceitual ganha maior peso: Robby revelou que a composição passou por diversas reformulações até chegar à estrutura definitiva, enquanto a identidade visual do álbum foi construída em torno do mascote “Exterminator”, dentro de uma estética cyberpunk e retrofuturista que a própria banda descreve como uma espécie de “visão de futuro feita pelos anos 80”. É justamente essa combinação de Speed Metal, teclados, synths e imagética futurista que diferencia o grupo de uma abordagem puramente tradicionalista.
No fechamento, “Faster Than Death” mantém a pressão até o último instante e confirma a coerência de Night of the Exterminator. A produção de D.D. Razor, que também aparece creditado pela engenharia e pela mixagem, favorece uma sonoridade orgânica e dinâmica, evitando aquela compressão exagerada que poderia tirar justamente a espontaneidade que combina com a proposta da banda. O álbum foi lançado em 14 de agosto de 2026 e, poucas semanas depois, a METALMINATOR já havia ultrapassado 2 mil ouvintes mensais no Spotify, com mais de 80% dessa audiência localizada fora do Brasil, especialmente em mercados como Estados Unidos, Alemanha, Suécia, Finlândia, Reino Unido e Espanha. Mais do que simplesmente reproduzir os fundamentos do Speed Metal, Night of the Exterminator mostra um grupo interessado em acrescentar teclados, harmonias, elementos de NWOBHM e uma estética retrofuturista à fórmula. É uma estreia que aposta claramente na velha escola, mas entende que tradição e identidade própria podem caminhar lado a lado.
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