Resenha: novo single da Bruthus continua ganhando espaço na mídia brasileira
Postado em 24/09/2026


Resenha de CD originalmente publicada pelo portal Brazil Legion

Por Rodrigo Maldonado

Nota: 08.0/10.0

A partir da trajetória da banda, de entrevistas com os integrantes e das avaliações já publicadas sobre o lançamento, o ponto mais interessante de “Sexta-Feira” é perceber como a BRUTHUS consegue manter sua identidade sem transformar a nova música em mera repetição do que já fez. Formado em Nova Friburgo (RJ) em 2017, o grupo construiu sua proposta a partir do encontro entre Rock, Metal, Crossover e Thrash, sempre com letras em português e uma postura bastante ligada à experiência dos shows. O single, lançado em 29 de maio de 2026, chega com pouco mais de três minutos e trabalha justamente essa objetividade: entra rapidamente no assunto, desenvolve suas ideias sem excessos e termina deixando uma impressão bastante direta.

Musicalmente, “Sexta-Feira” encontra sua principal força nos riffs encorpados de Eduardo Peixe, guitarrista que, segundo os próprios integrantes, exerce papel central na criação das bases da BRUTHUS ao lado do baterista Alexandre Sorin. Há uma condução pesada, mas sem perder fluidez, enquanto as guitarras assumem uma posição de destaque e ajudam a estabelecer o caráter mais agressivo da composição. Essa escolha conversa com aquilo que Eduardo e Alexandre já demonstravam no processo criativo da banda: riffs que soem bem aos ouvidos, experimentação durante os ensaios e uma construção que privilegia a força da música em vez de uma complexidade artificial.

Na cozinha, Alexandre Sorin demonstra novamente por que sua participação é tão importante para o equilíbrio do conjunto. A bateria sustenta a faixa com firmeza e movimento, evitando que o peso se torne excessivamente rígido, enquanto o baixo de Gustavo Zebs ajuda a preencher o espectro sonoro sem disputar espaço desnecessariamente com as guitarras. Esse entrosamento é particularmente significativo quando lembramos que a BRUTHUS sempre valorizou o aspecto orgânico de suas composições e gravações. Em entrevistas, os músicos explicaram que as estruturas instrumentais partem principalmente de Eduardo e Alexandre, recebendo posteriormente as contribuições dos demais integrantes, inclusive nas linhas de baixo, letras e arranjos.

Outro elemento decisivo está nos vocais de Brown e na utilização do português, característica que continua funcionando como uma das marcas mais reconhecíveis da BRUTHUS. Em vez de tratar o idioma como uma limitação, o grupo o transforma em ferramenta de aproximação, algo que os próprios integrantes associam à facilidade de comunicação com o público e à assimilação dos refrões durante as apresentações. “Sexta-Feira” preserva essa vocação direta, enquanto sua instrumentação mantém o equilíbrio entre agressividade e acessibilidade. O resultado é uma música que pode agradar tanto quem procura riffs pesados quanto quem se identifica com uma abordagem mais próxima do Rock nacional, sem necessidade de se prender a uma classificação rígida.

No conjunto, “Sexta-Feira” representa uma evolução coerente para a BRUTHUS. Não há aqui a tentativa de reinventar sua fórmula, mas uma demonstração de que o quarteto conhece seus recursos e sabe utilizá-los com maior segurança. A composição direta, os riffs vigorosos, a bateria consistente, o baixo bem integrado e os vocais em português formam um conjunto eficiente, enquanto a produção permite que a energia da execução permaneça evidente. Depois do EP O Sacode, do álbum Comigo Não e de singles como “Nocaute” e “Ladrão”, a nova faixa mostra uma banda confortável com sua própria personalidade e ainda interessada em ampliar os caminhos de sua música sem abandonar aquilo que a tornou reconhecível.

 
Categoria/Category: Clipping

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