Resenha de CD originalmente publicada pelo blog Metal Fire Metal
Por Greg M. Schurtz
Nota: 08.0/10.0
O novo single “Jogo Sujo”, lançado em 4 de setembro de 2026, marca mais um passo na evolução musical da SINDROME K, banda baiana que vem conquistando espaço na cena nacional com uma proposta que combina o peso do Thrash Metal tradicional a abordagens contemporâneas. Depois dos álbuns Aqui Se Paga (2021) e Sobreviventes do Mal (2023), além de “7.000 Giros” (2025), que contou com a participação de Marcello Pompeu (Korzus), o grupo apresenta uma composição que evidencia o amadurecimento de sua formação atual. Sem abandonar a agressividade que caracteriza seu repertório, o trio investe em uma sonoridade mais cadenciada e moderna, demonstrando disposição para explorar novas possibilidades sem comprometer sua identidade. Um dos aspectos mais interessantes está na utilização inédita de uma guitarra de sete cordas, recurso que amplia as possibilidades de peso e interação entre os instrumentos.
À frente da formação, Lula Souto (vocais e baixo) mantém a postura incisiva que acompanha a trajetória da banda, conduzindo uma letra inspirada em situações bastante comuns, mas nem por isso menos revoltantes: falsidade, relações tóxicas, amizades por conveniência e acordos rompidos por interesses pessoais. A temática funciona como uma espécie de desabafo contra aqueles que demonstram companheirismo apenas quando existe alguma vantagem envolvida. Em entrevista ao portal Luca Moreira, os integrantes revelaram que a inspiração também surgiu de decepções vivenciadas na própria cena do rock, especialmente com pessoas que recebem ajuda, mas não cumprem os compromissos assumidos. A escolha pelo português reforça a identificação com a mensagem e permite que o ouvinte compreenda imediatamente a crítica apresentada, sem depender de interpretações subjetivas.
Na parte instrumental, Miguel Matos (guitarra) e Márcio Dantas (bateria) desempenham funções fundamentais na construção da identidade da faixa. Os riffs encorpados de Matos encontram na condução precisa de Dantas uma base consistente, alternando momentos de maior velocidade com passagens mais cadenciadas. A dinâmica ganha um elemento adicional com a participação de Caio MacBeserra, vocalista do Project46, convidado para assumir um trecho de construção próxima ao Rap. Além de acrescentar seus característicos vocais guturais, o músico também escreveu a letra dessa passagem, estabelecendo um contraste interessante com a interpretação de Lula. A colaboração, surgida naturalmente durante o processo de composição, não parece uma participação inserida apenas para valorizar os créditos: ela efetivamente acrescenta personalidade e uma nova dimensão à estrutura musical.
Outro ponto positivo está na maneira como a SINDROME K consegue incorporar essas experiências sem transformar “Jogo Sujo” em um exercício de experimentação excessiva. O refrão de fácil assimilação equilibra a agressividade dos instrumentos, enquanto a produção de Heros Trench, responsável pela mixagem e masterização, contribui para manter os elementos sonoros bem definidos. Gravada no Estúdio Kaverna, em Salvador, a música também reflete uma mudança na dinâmica criativa do trio, que voltou a desenvolver suas composições coletivamente, dentro do estúdio, diferentemente do processo mais remoto adotado nos trabalhos anteriores. O resultado é um lançamento consistente, que não representa uma ruptura radical, mas evidencia uma banda interessada em ampliar seus horizontes. Com boas ideias, uma colaboração bem aproveitada e uma mensagem que encontra correspondência em experiências cotidianas, “Jogo Sujo” reafirma a capacidade da SINDROME K de renovar sua abordagem sem perder o peso e a personalidade.
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