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Resenha: confira faixa a faixa do novo álbum da banda brasileira Almah

Resenha de CD originalmente publicada pelo portal Whiplash

Por Fabio Pitombeira

Nota: 10.0/10.0

Tivemos a honra de conferir, em primeira mão, o novo álbum do ALMAH, “E.V.O”, que será lançado no Brasil pela MS Metal Records, no próximo mês de setembro e, devo admitir, a primeira impressão foi a melhor possível, principalmente porque temos um Edu Falaschi renovado, cantando de forma mais voltada para o lírico, como nos seus tempos com o Angra, da fase do álbum “Rebirth”.

Como parâmetro deste trabalho, fique à vontade para pegar a própria discografia da banda, pois este aqui é uma progressão natural dos dois últimos discos, “Motion” (2011) e “Unfold” (2013). Ou seja, eles mantiveram a roupagem mais moderna, fugindo do Power Metal que consagrou Edu Falaschi no Angra, todavia, toda a obra aqui apresentada emana sentimentos bem positivos, abordando temas ligados à Era de Aquário e suas conexões, diferentemente do que observamos em seus predecessores.

Marcelo Barbosa continua muito bem, imprimindo técnica e melodia na medida certa, agora ao lado Diogo Mafra, que acrescenta mais peso e diversidade à sonoridade em todo o disco. Outro estreante é o baterista Pedro Tinello, que compõe a cozinha com Raphael Dafras, ambos muito entrosados e que não permitem qualquer tipo de sentimento saudosista, com relação às formações anteriores do grupo. Sendo assim, melhor panorama impossível, já que o próprio Falaschi, como já mencionado acima, resolveu voltar para as suas origens, com intervenções agudas muito bem empregadas, drives em profusão e muita personalidade, sendo esta a melhor atuação do cantor em anos a fio.

Partindo destes pontos, vamos ao faixa a faixa com todas as minhas impressões sobre este álbum, que já pode ser considerado como um dos principais lançamentos do ano no Brasil.

Age of Aquarius: Típica faixa de abertura. Andamentos rápidos, solos melodiosos, arranjos de bateria técnicos e extremamente precisos, mas o destaque vai mesmo para Edu Falaschi, que me remeteu muito aos seus tempos em que era vocalista do Angra. O cara voltou a cantar em uma região mais alta, usando de forma inteligente tons mais agudos, mostrando estar completamente em forma. Acredito que esta seja uma belo presente para os fãs do Angra e do Symbols.

Speranza: Essa é uma faixa mais mainstream, que tem traços do Coldplay e corais muito bem empregados, principalmente o que foi conduzido por crianças na primeira metade da canção. As melodias fixam na memória facilmente aqui, embasadas por mais uma excelente atuação de Edu, novamente cantando em tons mais altos, e chamando a responsabilidade para si! O resultado de “Speranza” é o melhor que ouvi, desde os seus tempos de “Rebirth” e “Temple of Shadows”.

The Brotherhood: No Brasil, em matéria de compor baladas, eu realmente não ponho ninguém acima de Edu Falaschi, e está aqui mais uma para a coleção do cara. Mantendo o nível altíssimo de canções como “Bleeding Heart”, “Wishing Well”, “Lease of Life” e “Warm Wind”, “The Brotherhood” tem tudo para ser o próximo hit nos corações dos fãs da banda. E, para acrescentar mais carga emocional nesta avaliação, lendo a sua letra, é bem nítido que ela foi composta em homenagem ao seu irmão Tito Falaschi.

Innocence: Mais um Rock Moderno, pesado e vigoroso. Vai ficar repetitivo nesta avaliação, inclusive, falar dos refrães deste álbum, já que absolutamente todas as músicas contém seus pontos altos, no que se refere a este tipo de abordagem. Refrão lindo, usual e extremamente funcional. Outro aspecto forte em “Innocence” é o trabalho de guitarras. Barbosa e Mafra dão um verdadeiro show de técnica e virtuosismo, imprimindo bases pesadas atreladas a solos melodiosos e complexos.

Higher: A quinta faixa do disco é um Hard/Heavy cativante, com uma presença expressiva de teclados e backing vocals emocionais. “Higher” é a que mais possui elementos comerciais, principalmente no que se refere aos vocais de Falaschi e aos ótimos arranjos, voltados para a música brasileira, do baixista Raphael Dafras. Não se espantem se esta canção se tornar o primeiro videoclipe de “E.V.O”.

Infatuated: Talvez a que mais flerte com o Pop até aqui, principalmente quando nos atentamos para o refrão. Novamente, não se culpe por ouvir “Infatuated” e já sair cantarolando logo de cara. Refrão marcante, andamento midi-tempo empolgante e um dos solos mais inspirados de Diogo Mafra. Certamente, um dos pontos mais altos do material.

Pleased To Meet You: Nesta, o ALMAH teve como foco mostrar as suas características oriundas do Progressivo, aliadas ao peso absurdo das bases impostas por Barbosa e Mafra. Mesmo que o direcionamento do trabalho tenha sido mais comercial até o momento, esta aqui é mais voltada para o fã de Heavy Metal, mesmo! Edu usa e abusa dos drives, mesclando o seu lado mais melodioso no refrão, tornando o resultado muito satisfatório.

Final Warning: Mantém a linha mais pesada da sua antecessora, sendo mais direta e menos complexa. O uso de teclados é mais evidente nesta aqui, lembrando um pouco o clima mais denso de “Motion”, o que vai agradar em cheio aos fãs mais saudosistas.

Indigo: Esta é a menor de todo o trabalho, com pouco mais de três minutos de duração. Típica música que funcionará bem nas rádios, principalmente pelo seu acentuado apelo Pop. Para os que conhecem o trabalho dos finlandeses do HIM, vão se sentir em casa, pois o tino para melodia de Falaschi, em algum momento, se encontrou com a escola nórdica em “Indigo”. Como adendo, mais um destaque para o solo de Marcelo Barbosa, que demonstra estar na sua melhor fase como compositor.

Corporate War: Talvez a música mais ousada de toda a carreira do ALMAH. “Corporate War” é de longe a faixa mais experimental da banda, por flertar com o Grunge estadunidense. Densa, arrastada e melancólica, esta canção vai te levar a lembrar imediatamente dos melhores momentos do Alice in Chains, mais precisamente do álbum “Dirt”, um dos grandes clássicos da música pesada mundial.

Capital Punishment: O encerramento do disco meio que nos transporta para o clima otimista das faixas iniciais. “Capital Punishment” é carregada de coros, andamentos mais simples e que facilitam a sua assimilação por parte do ouvinte. Mais um refrão digno de nota e participações individuais que se conectam, tornando o coletivo do ALMAH irrepreensível.

“E.V.O” é o maior acerto na atual carreira de Edu Falaschi, após a sua fase no Angra, sem sombra de dúvidas. Tendo ao seu lado um time de respeito, este trabalho agrada pela diversidade, pelos ótimos refrães e, principalmente, pelo fato da simplicidade e complexidade estarem caminhando juntas e de mãos dadas. Indicado para os fãs que acompanham a carreira do artista, e também para os que sentiam falta dele cantando como na época da banda que o projetou para o mundo.