Resenha de CD originalmente publicada pelo portal Reidjou
Por Alex Viana
Nota: 08.5/10.0
A banda mineira MAD SNEAKS é formada por Agno Dissan (guitarra e vocal), Amaury Dias (bateria) e Adriano Lima (baixo) e apresenta uma proposta musical diretamente influenciada pelo Rock norte-americano dos anos 1990, estabelecendo um diálogo consistente entre o Grunge e o Punk. O grupo se insere no cenário alternativo nacional com uma estética sonora fortemente ancorada na escola de Seattle e na crueza característica do Rock da década mencionada.
“Incógnita” é o álbum de estreia da MAD SNEAKS e teve sua versão em CD lançada pela MS Metal. O produto físico se destaca pelo alto padrão de acabamento gráfico e editorial, apresentando qualidade técnica equivalente à de lançamentos internacionais, fator que reforça o cuidado da banda e do selo com a apresentação do trabalho ao público.
Musicalmente, faixas como “Canção Sem Fim” evidenciam de forma direta o direcionamento artístico da MAD SNEAKS, remetendo à cena de Seattle da primeira metade dos anos 1990 e estabelecendo uma atmosfera densa, melancólica e carregada de peso. O álbum mantém coesão estética ao longo de sua execução, consolidando uma identidade alinhada às principais referências do Grunge, sem abrir mão de características próprias.
Dentro desse contexto, sobressai de maneira contundente o trabalho do guitarrista e vocalista Agno Dissan, que se afirma como o principal eixo criativo da MAD SNEAKS. Sua performance reúne riffs consistentes, conduções precisas e uma interpretação vocal expressiva, sendo determinante para a construção da identidade sonora do disco. A atuação de Agno Dissan se destaca tanto pela técnica quanto pela capacidade de traduzir, em linguagem própria, as influências noventistas que fundamentam a proposta da banda.
Entre os destaques do repertório, “Pandora” apresenta uma abordagem que se aproxima pontualmente de referências do Rock nacional, ampliando o espectro sonoro da MAD SNEAKS. A principal influência declarada do grupo permanece sendo o Nirvana, aspecto reforçado pela masterização do álbum assinada por Jack Endino, produtor reconhecido por seu trabalho com a trupe do saudoso Kurt Cobain. Faixas como “Medeleine” evidenciam de forma direta esse diálogo com o espírito da cena Grunge, consolidando o caráter referencial e, ao mesmo tempo, autoral do trabalho de estreia. Excelente!
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