Resenha de CD originalmente publicada pelo blog Metal Fire Metal
Por Greg M. Schurtz
Nota: 09.0/10.0
A estreia da METALMINATOR com Night of the Exterminator é um daqueles trabalhos que deixam clara a proposta logo nos primeiros minutos, mas encontram caminhos próprios para desenvolvê-la. Formada em São Paulo em 2024, a banda construiu seu primeiro álbum a partir das bases do Speed Metal clássico, incorporando elementos da NWOBHM, do Speed/Power Metal alemão e, de maneira bastante particular, teclados e sintetizadores associados a uma estética retrofuturista. Lançado em 14 de agosto de 2026, o registro reúne nove faixas e pouco mais de 42 minutos, apostando em velocidade, riffs afiados, harmonias e refrãos marcantes sem transformar a reverência aos anos 1980 em simples exercício de nostalgia. A própria formação reconhece que essa combinação de referências surgiu naturalmente das diferentes influências de seus integrantes, resultando em uma sonoridade mais melódica e trabalhada do que aquela normalmente associada ao Speed Metal mais cru.
Entre os principais responsáveis por essa identidade está Robby Speed, que assume vocais, baixo, teclados e guitarras e responde pela maior parte das composições. Seu trabalho é especialmente perceptível na maneira como as melodias se encaixam aos riffs velozes, criando um equilíbrio entre agressividade e apelo tradicional. “Speed of Evil” sintetiza muito bem essa característica, avançando com guitarras rápidas, vocais firmes e uma construção que ganha personalidade com a pausa introduzida após o primeiro refrão. A faixa também evidencia como a METALMINATOR consegue trabalhar velocidade sem sacrificar dinâmica. Ao seu lado, Johnny Grave contribui decisivamente para o peso das guitarras e para as harmonizações que ampliam o caráter melódico do repertório. A química entre as guitarras é um dos pontos altos do disco, sobretudo porque evita que a intensidade permaneça restrita a uma sucessão uniforme de riffs acelerados.
“Eyes of the Future” surge como outro momento de destaque justamente por explorar com maior intensidade a faceta melódica da banda. A composição aproxima o Speed Metal da tradição da NWOBHM, valorizando harmonias de guitarra e mudanças que oferecem um respiro dentro da velocidade predominante. Já “Golden Years”, com seus mais de sete minutos, amplia ainda mais esse campo de possibilidades ao combinar duas guitarras com chorus, sintetizadores, cordas, baixo e vocais, tornando-se uma das peças mais ambiciosas do repertório. João Granado, responsável pelas guitarras e backing vocals na gravação, merece menção especial nesse contexto: sua participação nas harmonizações e, particularmente, a sugestão da dobra em quinta no início da faixa-título, demonstra como as contribuições individuais foram importantes para enriquecer as ideias originalmente apresentadas por Robby. O resultado é um álbum que não depende exclusivamente da velocidade para se afirmar.
Na bateria, D.D. Razor proporciona a força que mantém esse conjunto em movimento, mas sua atuação vai além do acompanhamento básico. De acordo com a própria banda, várias linhas foram retrabalhadas durante as gravações, com atenção especial às viradas, conduções, dinâmicas e mudanças de groove. Essa abordagem fica evidente em faixas como “Rage” e “Lady Killer”, nas quais a bateria participa ativamente das transições e ajuda a impedir que a estrutura perca impacto. Em “Rage”, particularmente, a combinação entre riffs cortantes, andamento acelerado e mudanças de dinâmica mostra uma METALMINATOR interessada em construir músicas que tenham mais de uma camada de leitura. A faixa-título segue caminho semelhante: depois de passar por diversas reformulações até alcançar sua versão definitiva, transforma a estética cyberpunk e retrofuturista do conceito do álbum em uma peça extensa, marcada pela presença dos teclados e por uma atmosfera que remete a uma visão de futuro imaginada a partir dos anos 1980.
Outro mérito importante está na produção, conduzida pelo próprio D.D. Razor, responsável pela produção, engenharia e mixagem. O tratamento sonoro preserva uma sensação orgânica, quente e dinâmica, evitando a compressão excessiva que poderia retirar do Speed Metal justamente sua espontaneidade. Ao mesmo tempo, guitarras, baixo, bateria, vocais e sintetizadores permanecem suficientemente definidos para que os diferentes elementos possam ser percebidos dentro dos arranjos mais carregados. Night of the Exterminator não pretende reinventar o gênero, e tampouco precisa fazê-lo: sua principal virtude está em compreender os fundamentos do Speed Metal e acrescentar a eles melodias, harmonizações, teclados e uma identidade visual retrofuturista que ajudam a diferenciar a proposta. Como primeiro álbum, é um resultado bastante seguro e promissor, capaz de apresentar a METALMINATOR como uma banda que respeita suas referências, mas demonstra disposição para construir um caminho próprio dentro do Metal tradicional.
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