Contato Anuncie Loja Baixar Distribuidoras Empresariamento
Artistas Clipping Assessoria de Imprensa Quem Somos Serviços Agência Home Notícias Joao Duarte J.Duarte Design www.jduartedesign.com Gravadora
Resenha: Marcos Garcia concede status de masterpiece para o novo trabalho do Pagan Throne

Resenha de CD originalmente publicada pelo blog Metal Samsara

Por Marcos Garcia

Nota: 10.0/10.0

É muito interessante quando podemos observar o quanto uma banda evolui de um lançamento para o outro. Sim, pois é necessário que haja estas mudanças para que o trabalho dos músicos continue soando vivo e relevante. Mas não é preciso abrir mão da própria personalidade. É algo que o tempo e a experiência vão cultivando em cada banda. E um dos melhores exemplos é o do quinteto carioca PAGAN THRONE, que após 5 anos de lançamento do primeiro álbum, “The Way to the Northern Gates”, volta com seu segundo álbum, “Swords of Blood”.

O que evoluiu na banda: o Viking Metal deles continua o mesmo, ainda agressivo e ríspido, mas ficou mais encorpado, ganhando mais melodia e o lado Viking de sua música ficou mais evidente. Mas isso sem abrir mão da personalidade, ou seja, é um passo adiante do que a banda apresentou em “The Way to the Northern Gates”, sem perder contato com suas raízes. Os vocais melhoraram bastante, já que não se prendem apenas aos tons rasgados, mas usam um bom leque de timbres, enriquecendo cada canção; as guitarras, por sua vez, mostram uma técnica mais apurada e ótima noção melódica (observem os solos e entenderão o que digo); os teclados estão excelentes, sabendo não só preencher bem espaços, mas aclimatar as músicas do disco; e a cozinha rítmica da banda ganhou em técnica e peso, apresentando maior diversidade de andamentos e boas mudanças rítmicas. Ou seja, a banda amadureceu muito em todos os sentidos.

A produção de “Swords of Blood” é de Eddie Torres (baixista do grupo), assim como a mixagem, e a masterização. E ele soube fazer esta ligação entre a sonoridade mais agressiva que a banda sempre teve com a qualidade que a evolução da banda pede. E conseguiu, pois o resultado é uma sonoridade muito boa, agressiva e seca, mas com um nível de clareza muito bom. E a arte de Marcus Lorenzet é ótima, caprichada e soube deixar a proposta lírica/musical do grupo bem clara. O PAGAN THRONE deu uma burilada muito boa em cada música do disco. Os arranjos estão excelentes, as músicas não exageram no tempo de duração (apenas “Northern Forests” e “Path of Shadows” passam dos 5 minutos), e cada uma delas passa rapidamente devido ao requinte musical que o grupo ganhou. E para dar um toque a mais de classe, temos a participação de Vivi Alves (ex-Mortarium) nos vocais em “Kingdom Rises” e “Pagan Heart”.

Do início ao fim, o disco é excelente, bem equilibrado e apresenta uma musicalidade revigorada e elegante, mesmo sendo um lançamento de Metal Extremo. São nove faixas excelentes (sim, nove, pois “Invasion” é uma introdução).

Swords of Blood – A faixa-título do CD inicia a obra, mostrando um equilíbrio bem feito entre o lado agressivo de sua música com melodias mais encorpadas. Reparem bem como os vocais mostram uma boa diversidade de timbres, e existem variações rítmicas muito boas.

Rites of War – O baixo mostra-se importante logo no início, em meio a um andamento mais refreado e com belas guitarras aparecendo. Isso sem mencionar que os teclados estão muito bons, aparecendo e aclimatando perfeitamente a música.

Fallen Heroes – Uma faixa mais climática e com um andamento empolgante, onde novamente guitarras e teclados se destacam bastante. Reparem a riqueza instrumental, as mudanças de momentos e belos solos de guitarra, onde a melodia e lado Viking fica explicitado.

Northern Forests – Um dos grandes momentos do disco. Com seus nove minutos de duração, ele permite que a banda evolua e transite bem entre momentos velozes e outros mais amenos. E baixo e bateria mostram muita técnica aqui, fora uma apresentação de gala dos teclados.

Beast of the Sea – Aqui, a banda apresenta um refrão excelente, além de uma levada um pouco mais rápida, mas melodiosa, que beira os momentos mais rápidos das bandas de Metal Tradicional, fora uma incursão de teclados mais voltados ao Pagan Metal muito boa.

Kingdom Rises – Belos corais Vikings dão as caras (inclusive usando alguns vocais femininos muito bem colocados), um uso muito bom dos vocais em timbres excelentes, fora uma pegada um pouco menos agressiva e mais voltada ao Pagan Metal aparece. E que lindos teclados!

Dark Temples – É uma linda e bela instrumental, mais melodiosa e introspectiva, mostrando um fundo de Heavy Metal Tradicional. E que lindo trabalho das guitarras, com um solo melodioso e inspirado.

Path of Shadows – Uma pegada um pouco mais voltada ao Black Metal de raiz se faz presente, mas logo os elementos Viking começam a dar as cartas e a criar uma atmosfera pesada e densa. E alguns momentos mais empolgantes mostram novamente um trabalho de vocais excelente, mais um solo de guitarra muito bom.

Pagan Heart – É uma versão acústica da música presente no EP de mesmo nome. Os vocais novamente ganham destaque em meio aos violões e teclados, usando alguns efeitos providenciais, sem quebrar a aura Viking introspectiva da música.

Definitivamente, “Swords of Blood” é um disco excelente, e mostra que o PAGAN THRONE é uma banda que não merece estar presa apenas ao Brasil.