Resenha de CD originalmente publicada pelo portal Reidjou
Por Alex Viana
Mais de uma década depois de surgir na Cidade Ocidental, periferia de Brasília, a TERRORCIDIO chega ao seu primeiro álbum completo com uma proposta que não deixa muita margem para delicadezas. Formada em 2008 com a intenção de fortalecer a cena underground e apostar em letras em português, a banda começou sua caminhada dentro do Thrash/Death Metal, tendo como referências nomes como Torture Squad, Slayer e Cannibal Corpse. Em “Favela”, lançado em outubro de 2024 de forma independente, essa identidade aparece mais madura e agressiva, incorporando também uma forte veia Hardcore. São apenas 30 minutos, mas a impressão é de que o grupo despeja uma quantidade considerável de raiva e energia nesse intervalo.
Logo de cara, “Guerrilha 33” estabelece o clima do disco com guitarras pesadas, bateria acelerada e uma abordagem bastante direta. A curta “Metal Nunca Morrerá” funciona quase como um manifesto antes de “Possessão”, uma das faixas mais encorpadas do repertório e um excelente exemplo da capacidade da TERRORCIDIO de combinar Death Metal e Hardcore sem deixar a música perder impacto. A bateria, especialmente nos momentos mais velozes, dá aquele empurrão necessário para que as composições não fiquem excessivamente lineares, enquanto as guitarras trabalham riffs secos e agressivos. É música para ouvir alto, sem muita cerimônia.
A faixa-título também merece destaque. “Favela” concentra boa parte da identidade conceitual do álbum ao apostar em uma abordagem urbana, pesada e combativa, enquanto “Circo dos Porcos” segue pela mesma estrada, com uma construção que privilegia o ataque e a contundência. O interessante é que a TERRORCIDIO não parece preocupada em transformar suas composições em exercícios de virtuosismo. Aqui, menos é mais: riffs objetivos, mudanças rápidas e faixas que sabem exatamente quando terminar. Até músicas curtíssimas como “Mate ou Morra”, “Chuta o Bicho Morto” e “Blasfêmia” funcionam como golpes rápidos, mantendo o álbum em permanente estado de tensão. O repertório principal tem apenas onze faixas, mas essa economia ajuda a evitar aquela sensação de disco que poderia ter sido mais enxuto.
Outro mérito está na performance vocal de Paulo Heavy, baixista e vocalista, que alterna screams e guturais com bastante naturalidade. O resultado combina muito bem com a proposta agressiva do grupo e encontra um de seus melhores momentos justamente em “Possessão”, enquanto “Agony” fecha o bloco de inéditas sem aliviar a pressão. A produção também joga a favor: guitarras pesadas e cortantes aparecem bem definidas, enquanto baixo e bateria mantêm presença suficiente para que o conjunto não vire uma massa sonora indistinta. Há uma crueza proposital no resultado, mas ela não compromete a compreensão das músicas. Pelo contrário, ajuda a preservar o espírito underground que acompanha a TERRORCIDIO desde seus primeiros anos.
No balanço final, “Favela” é um trabalho que entende perfeitamente aquilo que pretende entregar: peso, velocidade, agressividade e uma identidade brasileira muito clara. A inclusão de três faixas bônus ao vivo — “Crenças Importunas”, “Mate ou Morra e Chuta o Bicho Morto” e “Tormento” — ainda acrescenta uma dimensão interessante ao lançamento, mostrando como esse repertório pode ganhar ainda mais força fora do estúdio. Não é um álbum preocupado em agradar todo mundo, e talvez justamente por isso funcione tão bem. “Favela”, “Possessão” e “Guerrilha 33” deixam claro que a TERRORCIDIO encontrou um ponto de equilíbrio bastante eficiente entre Death Metal e Hardcore, transformando indignação, peso e atitude em um disco curto, brutal e sem frescura.
Notícia mais antiga: RITHUAL: confira novas informações sobre o seu debut álbum, “Just A Mask” »


