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Resenha: novo trabalho do Tropa de Shock é avaliado pelo redator brasileiro Marcos Garcia

Resenha de CD originalmente publicada pelo blog Metal Samsara

Por Marcos Garcia

Nota: 09.5/10.0

Tem bandas que, de disco para disco, evoluem bem lentamente, com propostas sonoras cada vez mais adaptadas aos tempos modernos. Mas existem aquelas que, como diz um velho jargão popular, já chegam “na voadora”, ou seja, evoluem tão rapidamente que chegam a nos assustar. E verdade seja dita: o quinteto paulista TROPA DE SHOCK realmente nos surpreende. Mesmo sendo veteranos, com mais de 25 anos de muita luta nos ombros, eles chegam metendo uma bicuda na porta com “Inside the Madness”, seu novo álbum que a MS Metal Records e a Voice Music colocaram nas lojas.

E se preparem, pois aqui, o calibre da banda é bem grosso. A banda continua adepta de um Heavy Metal Tradicional com um pezinho no Power Metal, mas desta vez, eles abriram a caixa de ferramentas e usaram de uma apresentação mais agressiva e bruta. O quinteto se modernizou, e está pronto para encarar qualquer um que vier pela frente, dispostos a não deixarem pedra sobre pedra. É agressivo, pesado e azedo, mas as melodias tradicionais estão ali, como a técnica que flui naturalmente do grupo, não sendo algo posto à força nossas goelas abaixo. E os teclados que a banda sempre teve estão ausentes no disco, mas não chegam a fazer grande falta.

Um pequeno gendaken para que possam compreender esta evolução: imaginem que nunca ouviram o Judas Priest na vida. E de repente, alguém lhe mostra primeiramente o “Screaming for Vengeance”, e logo depois, o “Painkiller”. Sim, claramente é esta idéia do que o grupo fez nesse disco, ou seja, sua música está soando agressiva e moderna, mas vibrante e melodiosa. O baterista Marcio Minetto e o vocalista Don fizeram a produção do disco, e verdade seja dita: acertaram em cheio. Sim, pois esta forma mais seca e agressiva se ajustou perfeitamente ao que o grupo buscava. Os timbres instrumentais estão ótimos, e a qualidade excelente. E o aspecto artístico, um trabalho ótimo, dando corpo lado musical e lírico. A banda caprichou nos arranjos de “Inside the Madness”, sem sombra de dúvidas. Soando pesado, agressivo e melódico ao mesmo tempo, sua música ganhou vida, e deixou o TROPA DE SHOCK pronto para novos desafios. E de quebra, o disco trás a presença de Sérgio Murilo no último solo de guitarras em “I Like Chopin”, um hit antigo dos anos 80 do cantor Pop italiano Gazebo.

O lado musical fala por si nas 12 faixas do disco (sim 12, pois “Insanity Nightmares” é uma introdução).

I Broke My Mirrors – Uma faixa bem agressiva e com ótimas melodias, com boa mostra de técnica e um refrão ótimo. As mudanças rítmicas são excelentes, fora os vocais “halfordianos” de Don estarem em grande forma (tanto que alguns urros mais guturais surgem como backing vocals em alguns momentos).

Revelations of a Soldier – Sirenes e outros efeitos permeiam o início de uma música com andamento empolgante, daqueles com velocidade moderada e levam a cabeça a bater naturalmente. Os riffs são excelentes, mostrando que Augusto e Lucas estão muito bem nas seis cordas.

Call My Name – O lado mais tradicional à lá NWOBHM da banda aparece. Veja como os duetos de guitarra lembram bastante o trabalho de bandas como Maiden e Judas naqueles áureos tempos. Mas mesmo assim, é interessante ver que os arranjos tornaram-na uma faixa bem envolvente e acessível.

Waiting for Another Way – Outra bem NWOBHM, apenas com uma dose de agressividade maior. Mas mesmo assim, a força da energia Hard’n’Heavy é ótima e nos embala. E que exibição de Don mais uma vez, está cantando muito bem.

All My Reasons – Um pouco mais amena e quase uma balada. É um dos momentos mais climáticos e introspectivos do disco, com excelentes melodias e um belo trabalho de Márcio na bateria, o que faz com que Hammier mostre uma técnica muito boa nas quatro cordas.

Inside the Madness – O lado mais agressivo retorna, com guitarras abrasivas em uma faixa bem diversificada e algumas mudanças rítmicas muito boas. E alguns backing vocals são ótimos.

Afraid of Hell – A agressividade dessa aqui chega a ser rascante. O balanço entre base rítmica e riffs é excelente, e chega a ser constrangedor ver um trabalho desse nível e não aplaudir de pé.

A Silents Dark – Novamente, há equilíbrio entre a roupagem agressiva da banda e o lado melodioso de sua personalidade. Aqui, ao mesmo tempo, aquele lado mais Power Metal surge naturalmente, apresentando um trabalho de alto nível de baixo e bateria.

Beyond the Sea – Como a base rítmica da banda é precisa, e como serve bem para as guitarras e vocais evoluírem bem… A banda apresenta um lado técnico muito bom, mas o alinhavo agressivo está presente, com riffs roncando feio nos ouvidos dos incautos.

Slaved Anywhere – Aqui aquele lado mais Metal germânico dá às caras no trabalho das guitarras, algo bem Accept nas bases, mas ao mesmo tempo, o lado daquilo que chamamos de “Heavy Metal tradicional moderno” é evidente graças aos timbres agressivos.

I Like Chopin – Como dito antes, esta é uma velha canção Pop dos anos 80. Mas aqui, ela ganhou uma roupagem pesada e vibrante. Se não nega a versão original, ficou ótima com as guitarras no lugar dos pianos e teclados, além de uma base rítmica pesada e consistente.

Freedom Again – Aqui, novamente, aquele lado Power Metal melodioso dá as caras, com um andamento não tão veloz, a bateria mostrando uma técnica excelente, e belas vocalizações. Aparentemente, por ser uma faixa bônus, ela tem a pegada mais voltada aos trabalhos anteriores da banda, mas em momento algum soa como sobra ou algo do tipo. É ótima, com um refrão excelente.

Óbvio que o TROPA DE SHOCK ainda tem muito a oferecer, e com essa nova formatação, está pronto o futuro. Mas verdade seja dita: o presente é excelente. Podem adquirir sem medo.