Resenha: primeira nota máxima para o debut álbum da banda Homeless
Postado em 24/03/2026


Resenha de CD originalmente publicada pelo site Sub Discos

Por Rony Portela

Nota: 10.0/10.0

A HOMELESS já vinha desenhando sua identidade dentro de um som pesado, direto e com forte carga crítica, e “Obscuro Lado da Alma” chega como um passo bem firme por este caminho. A banda, que sempre transitou entre o peso do Crossover e uma abordagem mais crua e lúdica, mostra aqui um amadurecimento claro — não só nas composições do disco, mas também na forma como organiza suas ideias ao longo do álbum. É aquele tipo de trabalho que não tenta inventar moda, mas entrega consistência do início ao fim.

Ao longo das faixas, dá pra perceber um cuidado maior com dinâmica e construção de clima, e muito disso passa pela atuação do baterista Spaghetti, como evidenciado nas ótimas “Falsos Deuses, Falsos Profetas” e “Frio da Morte” . O cara segura a bronca com folga, trazendo não só peso, mas também técnica e variações que evitam qualquer sensação de monotonia. Mais do que marcar o tempo, ele adiciona camadas e texturas que ajudam a dar corpo às músicas, funcionando quase como um elo entre a agressividade e a coesão do full.

A produção também merece destaque sem rodeios: é limpa, potente e deixa tudo no seu devido lugar. Nenhum instrumento se perde, tudo é inteligível, o que valoriza tanto os momentos mais pesados quanto as passagens mais cadenciadas. E no meio disso tudo, a voz de Vinícius Vak simplesmente rouba a cena. É uma entrega raivosa, intensa, daquelas que prendem a atenção automaticamente sempre que atua — funcionando como um dos pilares mais fortes do álbum.

A capa de “Obscuro Lado da Alma” ajuda bastante a estabelecer o clima da obra. A arte remete a uma espécie de figura etérea que lembra Aleister Crowley, cercada por caveiras em tons de cinza, criando uma estética densa e quase ritualística. Não é só um detalhe visual jogado ali: combina bem com a proposta do disco e reforça essa aura mais sombria e introspectiva que a banda trabalha. Ela, inclusive, dialoga bem de perto com Formas de Acabar com a Vida”, que ainda ostenta a presença ilustre de Alex Kafer, baixista e vocalista do The Troops of Doom.

Agora, vivendo uma nova fase ao integrar o casting de uma grande agência no Brasil, a HOMELESS parece pronta para expandir horizontes. Esse álbum soa como uma baita apresentação robusta do seu poder de fogo para voos maiores. A expectativa por uma turnê que ultrapasse o território nacional — alcançando também Europa e Ásia — faz sentido, porque “Obscuro Lado da Alma” mostra uma banda preparada, entrosada pra caralho e com potencial real de crescer fora do circuito nacional.

 
Categoria/Category: Clipping

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