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Resenha: primeiro álbum solo de Edu Falaschi ganha status de masterpiece no site Mundo Metal BR

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Resenha de CD originalmente publicada pelo Mundo Metal BR

Por Fábio dos Reis

Nota: 10.0/10.0

Todos os headbangers que viveram intensamente o início dos anos 2000, devem se lembrar de EDU FALASCHI sendo ovacionado em seus tempos áureos no Angra. Alguns mais velhos podem até mesmo se lembrar do músico em um período anterior quando o mesmo fazia parte do excelente Symbols. Mas nem tudo foram rosas e é fato que todos também se recordam dos últimos anos à frente do Angra, quando o trem descarrilhou e os problemas de saúde geraram uma perda considerável de voz que culminou na fatídica apresentação no Rock In Rio de 2011.

Fora da banda que o projetou mundialmente, anos obscuros se sucederam e Edu passou por diversos problemas pessoais. Os momentos difíceis o tiraram dos holofotes por um longo período e parecia que o vocalista estava fadado ao esquecimento. Felizmente, pessoas talentosas tem um dom quase incompreensível e um poder de superação que desafia nossas expectativas.

Os indícios de que tudo estava começando a entrar nos eixos ocorreram em 2017, quando Edu se reuniu com o baterista Aquiles Priester e, juntos, começaram a tocar as músicas de seus tempos no Angra. Edu estava nitidamente recuperado do refluxo gástrico que prejudicou sua voz no passado e sua sede de palcos se tornou voraz. O projeto com Aquiles deu muito certo e o sucesso resultou no DVD “Temple Of Shadows In Concert”, gravado em São Paulo e lançado apenas no Japão devido a um veto jurídico do guitarrista Rafael Bittencourt (Angra). Tal veto foi o responsável por muita lavação de roupa suja e tudo isso foi feito publicamente em mídias especializadas e canais no Youtube, mas a realidade é que Edu está olhando para frente e resolveu trabalhar pesado em um disco de inéditas.

“Vera Cruz”, o primeiro álbum solo de EDU FALASCHI, foi concebido com muito cuidado, dedicação e carinho. Isso fica nítido quando se analisa a quantidade exorbitante de detalhes contidos no trabalho. Todos os envolvidos no projeto mostraram-se realmente empenhados em apresentar o melhor disco possível e, para isso, diversos fatores precisam ser levados em consideração. Nada em “Vera Cruz” foi feito ao acaso, tudo foi pensado, desenvolvido e executado com perfeição. Desde as composições, passando pela criação do conceito das letras, produção e culminando em detalhes como arte gráfica e apresentação do produto, tudo foi feito com o máximo de respeito pelo fã.

Como este é um disco repleto de camadas, vamos falar sobre cada uma delas para que você, amigo leitor, tenha a noção exata do que está sendo apresentado em “Vera Cruz”. Podemos afirmar que boa parte da grandiosidade do disco venha de seu conceito e, para isso, Edu se juntou a Fabio Caldeira (vocalista da banda de Prog Power, Maestrick) para desenvolver as letras. Assim como no clássico “Temple Of Shadows” (Angra), o primeiro full lenght de Falaschi também apresenta uma história que vai sendo desenvolvida em cada uma das faixas. Ao longo de pouco mais de 1 hora de duração, você será tragado para dentro de uma fábula medieval envolvente que conta a trajetória de Jorge, o escolhido para por fim na Ordem da Cruz de Nero.

A ordem tentou assassinar o bebê Jorge, mas falhou graças ao heroísmo de sua mãe. Jorge então cresce em um monastério, mas na juventude acaba sendo descoberto pela famigerada Ordem e passa a ser perseguido novamente. Para sobreviver, o personagem acaba sendo treinado militarmente pela Ordem de Cristo, uma facção “rival”, e é convocado para a expedição de Pedro Álvares Cabral que culminaria na descoberta do Brasil. Neste contexto, é claro que o seu paradeiro seria descoberto e Jorge teria que lidar com seus algozes em terras brasileiras. Em meio a diversas aventuras históricas, o álbum conta com uma riqueza de detalhes impressionante e fisga o ouvinte desde o início.

Obviamente, uma história bem feita e caprichada não seria o suficiente para conquistar os exigentes fãs de Metal. Tudo iria por água abaixo se as composições não fossem realmente boas, mas elas são. Podemos afirmar que “Vera Cruz” é praticamente uma celebração dos 30 anos de carreira de Edu e traz em suas 13 canções, um apanhado de todas as características e musicalidades já exploradas pelo cantor. Todos os músicos da banda se dedicaram ao máximo e as performances individuais é um outro fator de destaque. A dupla de guitarristas formada por Roberto Barros e Diogo Mafra é um espetáculo à parte. Todos os solos são belíssimos, cheios de virtuose e portam criatividade ímpar. O baixo de Raphael Dafras é quase heroico, já que acompanhar o monstruoso Aquiles Priester é tarefa quase impossível, o cara está mais insano do que nunca e seu trabalho de baquetas em “Vera Cruz” é absurdamente fantástico. O tecladista Fábio Laguna, como sempre, demonstra todo seu talento sem tentar aparecer mais do que as músicas pedem e Edu, a cereja do bolo, exibe linhas vocais belíssimas cheias de agudos e tons mais altos, que remetem diretamente aos seus momentos áureos de Angra.

Além de um conceito lírico envolvente e performances individuais matadoras, o álbum é dono de uma produção cristalina que evidencia todos os pontos altos de cada uma das músicas. Este trabalho de produção foi feito pelo próprio Edu, com co-produção de Thiago Bianchi, no estúdio Nas Nuvens. Já a mixagem e a masterização foi feita na Europa por ninguém menos que Dennis Ward (Angra, Edenbridge, Pink Cream 69, Unisonic, entre outros). A arte da capa foi concebida pelo artista Carlos Fides, da Artside Digital Studio e, sem exageros, é belíssima. Tudo isso, somado ao conteúdo musical que vamos esmiuçar à seguir, faz com que o trabalho seja visto como um marco grandioso no Metal nacional.

O track list abre com a vinheta “Burden”, arremessando o ouvinte diretamente para dentro do conto e logo mostrando a que veio na insana “The Ancestry”. Talvez por sua virtuose exacerbada, a música me remeteu a algo na linha de “The Temple Of Hate”, do álbum “Temple Of Shadows”, mas ainda assim, possui vida própria e consegue arrancar suspiros dos fãs mais saudosistas. “Sea Of Uncertainties” vai em uma linha mais visceral e a balada “Skies In Your Eyes” emociona. A introdução “Frol De La Mar” tem cara de abertura de show, até por que emenda em “Crosses”, uma porrada à lá “Nova Era”, do álbum “Rebirth”. “Land Ahoy” é um espetáculo à parte, uma composição maravilhosa com mais de 9 minutos e que traz diversos elementos de “Holy Land”, mas com uma visão muito própria de Edu. Certamente, uma das mais belas músicas apresentadas nos últimos tempos.

“Fire With Fire” tem uma veia mais progressiva e não decepciona, enquanto “Mirror Of Delusion”, traz o Power Metal de volta à superfície. “Bonfire Of The Vanities” é outra balada lindíssima e o álbum encerra com duas músicas magníficas, ambas, com participações especiais inusitadas. “Face Of The Storm”, com EDU FALASCHI dividindo os vocais com o incomparável Max Cavalera, e “Rainha do Luar”, com a cantora de MPB Elba Ramalho surpreendendo todos em uma música absolutamente épica.

Particularmente, eu não gosto de dar nota máxima a discos recém lançados, porém, não consegui encontrar um único fator que desabonasse uma avaliação de 10. “Vera Cruz” é um trabalho completo em todos os sentidos, com musicalidade instigante, instrumental complexo e elaborado, conceito primoroso e, além disso, foi feito com um capricho realmente digno de aplausos. É necessário dizer que os fãs e colecionadores não terão do que reclamar, já que o álbum é apresentado em diversas versões diferentes, algumas com produtos criados especialmente para o lançamento e, em todas as versões, destaco o mesmo sentimento de presentear o headbanger com o melhor.

Se um dia EDU FALASCHI foi criticado ou mal compreendido, este é o disco que o redime por completo. Aqui, somos testemunhas da ressurreição de um ícone do Metal nacional. Que venham mais álbuns como este pela frente, já que certamente “Vera Cruz” terá lugar de destaque no hall de grandes lançamentos não apenas do ano, mas de todo o nosso Metal. Finalizo com uma constatação: as outras bandas do estilo terão que lançar obras absolutamente empolgantes e irretocáveis para ganhar o lugar mais alto do pódio de Falaschi. Vida longa e parabéns pelo respeito com os fãs!