{"id":62874,"date":"2026-08-25T18:38:41","date_gmt":"2026-08-25T18:38:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/?p=62874"},"modified":"2026-08-25T18:38:41","modified_gmt":"2026-08-25T18:38:41","slug":"resenha-novo-album-da-uganga-conquista-de-vez-o-publico-baiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/resenha-novo-album-da-uganga-conquista-de-vez-o-publico-baiano\/","title":{"rendered":"Resenha: novo \u00e1lbum da Uganga conquista de vez o p\u00fablico baiano"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-61736 alignleft\" src=\"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/7.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/>Resenha de CD originalmente publicada pelo portal Reidjou<\/p>\n<p>Por Alex Viana<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Com mais de tr\u00eas d\u00e9cadas dedicadas \u00e0 m\u00fasica pesada, a <strong>UGANGA<\/strong> chega ao seu oitavo \u00e1lbum de est\u00fadio com <em>&#8220;<\/em><em>Ganeshu&#8221;<\/em>, um trabalho que soa como uma esp\u00e9cie de renascimento art\u00edstico sem abrir m\u00e3o das caracter\u00edsticas que constru\u00edram a identidade do grupo mineiro. Lan\u00e7ado em 9 de maio de 2025, o disco condensa dez faixas em apenas 26 minutos e aposta em um <em>Crossover<\/em> que atravessa <em>Thrash Metal<\/em>, <em>Hardcore<\/em> e <em>Groove Metal<\/em>, mas tamb\u00e9m abre espa\u00e7o para <em>dub, Rap<\/em>, psicodelia e elementos eletr\u00f4nicos. O resultado \u00e9 curto, urgente e bastante f\u00edsico, daqueles registros que parecem exigir uma audi\u00e7\u00e3o completa para que suas diferentes camadas sejam devidamente assimiladas. <em>\u201cIgarap\u00e9s\u201d<\/em> funciona como uma introdu\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica antes de <em>\u201cA Profecia\u201d<\/em> colocar o peso em primeiro plano, enquanto <em>\u201cConfesso\u201d<\/em>, <em>\u201cTem Fogo!\u201d<\/em>, <em>\u201cExu N\u00e3o Passa Pano\u201d<\/em> e a faixa-t\u00edtulo ajudam a construir um repert\u00f3rio que alterna pancada, <em>groove<\/em> e experimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Manu Joker \u00e9, naturalmente, uma das figuras centrais dessa equa\u00e7\u00e3o. Fundador da <strong>UGANGA<\/strong>, o m\u00fasico carrega uma trajet\u00f3ria que remonta \u00e0 cena extrema mineira dos anos 1980 e inclui sua participa\u00e7\u00e3o no <strong>Sarc\u00f3fago<\/strong>, banda com a qual gravou o EP <em>&#8220;<\/em><em>Rotting&#8221;<\/em>, de 1989. Em <em>&#8220;<\/em><em>Ganeshu&#8221;<\/em>, entretanto, sua atua\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito distante de qualquer tentativa de viver do pr\u00f3prio passado: a voz \u00e9 usada como instrumento de confronto, alternando <em>drives<\/em> encorpados, gritos e uma interpreta\u00e7\u00e3o que preserva a inteligibilidade das letras em portugu\u00eas. Manu tamb\u00e9m participou da constru\u00e7\u00e3o conceitual e da pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, al\u00e9m de dividir a produ\u00e7\u00e3o com Gustavo Vazquez. Essa combina\u00e7\u00e3o entre experi\u00eancia, agressividade e consci\u00eancia art\u00edstica faz com que sua presen\u00e7a domine faixas como <em>\u201cA Profecia\u201d<\/em>, <em>\u201cConfesso\u201d<\/em> e, principalmente, <em>\u201cTem Fogo!\u201d<\/em>, em que a interpreta\u00e7\u00e3o vocal refor\u00e7a o car\u00e1ter urgente da composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Quem tamb\u00e9m merece aten\u00e7\u00e3o especial \u00e9 Juninho Silva, respons\u00e1vel pela bateria e pelos vocais no registro. Seu desempenho \u00e9 decisivo para a din\u00e2mica de <em>&#8220;<\/em><em>Ganeshu&#8221;<\/em>, sobretudo porque a <strong>UGANGA<\/strong> n\u00e3o depende apenas de velocidade para produzir impacto: h\u00e1 quebras, mudan\u00e7as de andamento, passagens cadenciadas e momentos em que o <em>groove<\/em> assume o comando. <em>\u201cConfesso\u201d<\/em> exemplifica bem essa caracter\u00edstica, enquanto <em>\u201cTem Fogo!\u201d<\/em> amplia o espectro r\u00edtmico com aproxima\u00e7\u00f5es ao <em>Rap<\/em> e <em>breakdowns<\/em> pesados. A bateria mant\u00e9m a m\u00fasica em permanente movimento, mas sem transformar as composi\u00e7\u00f5es em demonstra\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas gratuitas. Essa escolha combina perfeitamente com o m\u00e9todo de grava\u00e7\u00e3o adotado no <span style=\"text-decoration: underline;\">Rocklab Studio<\/span>, em An\u00e1polis (GO): a base instrumental foi registrada praticamente ao vivo, com Manu fazendo uma guia vocal, justamente para preservar uma pegada pr\u00f3xima daquela apresentada nos palcos.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Nas guitarras e no baixo, respectivamente, Jean Pagani e Raphael \u201cRas\u201d Franco foram os m\u00fasicos respons\u00e1veis pelas grava\u00e7\u00f5es de <em>&#8220;<\/em><em>Ganeshu&#8221;<\/em>, completando a forma\u00e7\u00e3o que registrou o \u00e1lbum ao lado de Manu Joker e Juninho Silva. Pagani contribui para uma parede de guitarras que transita entre riffs secos, bases de <em>Thrash<\/em> e constru\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas do <em>Groove Metal<\/em>, enquanto Ras sustenta a parte grave com uma atua\u00e7\u00e3o que ajuda a manter o peso sem sufocar os demais instrumentos. \u00c9 importante destacar que ambos deixaram a banda posteriormente, sendo substitu\u00eddos por Vin\u00edcius Luz, ex-<strong>Neurose<\/strong>, e Igor Wallace, respectivamente, na forma\u00e7\u00e3o que passou a levar o repert\u00f3rio para a estrada. Essa informa\u00e7\u00e3o torna o disco ainda mais interessante como registro de uma fase espec\u00edfica da <strong>UGANGA<\/strong>, especialmente porque <em>&#8220;<\/em><em>Ganeshu&#8221;<\/em> nasceu justamente em meio a profundas mudan\u00e7as internas e acabou funcionando como uma demonstra\u00e7\u00e3o de resili\u00eancia.<\/p>\n<p>No aspecto conceitual, <em>&#8220;<\/em><em>Ganeshu&#8221;<\/em> encontra sua identidade na mesma liberdade que caracteriza a m\u00fasica da <strong>UGANGA<\/strong>. O t\u00edtulo \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o de Manu Joker que funde simbolicamente Ganesha, da tradi\u00e7\u00e3o hindu, e Exu, das religi\u00f5es afro-brasileiras, duas figuras associadas \u00e0 abertura de caminhos e \u00e0 remo\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos. A capa, concebida por Artur Fontenelle a partir de um conceito de Manu, refor\u00e7a essa fus\u00e3o entre refer\u00eancias espirituais e culturais. Musicalmente, a banda transforma essa ideia em movimento: cr\u00edtica social, espiritualidade, natureza, resist\u00eancia e experi\u00eancias pessoais aparecem dentro de uma sonoridade que n\u00e3o aceita fronteiras muito r\u00edgidas. <em>&#8220;<\/em><em>Ganeshu&#8221;<\/em> n\u00e3o tenta suavizar a personalidade da <strong>UGANGA<\/strong> nem transformar o <em>Crossover<\/em> em f\u00f3rmula; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 um \u00e1lbum compacto, brutal e experimental, capaz de carregar d\u00e9cadas de estrada para dentro de uma obra que soa atual, inquieta e genuinamente autoral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resenha de CD originalmente publicada pelo portal Reidjou Por Alex Viana Com mais de tr\u00eas d\u00e9cadas dedicadas \u00e0 m\u00fasica pesada, a UGANGA chega ao seu oitavo \u00e1lbum de est\u00fadio com &#8220;Ganeshu&#8221;, um trabalho que soa como uma esp\u00e9cie de renascimento art\u00edstico sem abrir m\u00e3o das caracter\u00edsticas que constru\u00edram a identidade do grupo mineiro. 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