{"id":62994,"date":"2026-09-16T21:26:38","date_gmt":"2026-09-16T21:26:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/?p=62994"},"modified":"2026-09-16T21:26:38","modified_gmt":"2026-09-16T21:26:38","slug":"resenha-novo-album-da-strigah-e-destacado-no-site-cultura-em-peso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/resenha-novo-album-da-strigah-e-destacado-no-site-cultura-em-peso\/","title":{"rendered":"Resenha: novo \u00e1lbum da Strigah \u00e9 destacado no site Cultura em Peso"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-62663 alignleft\" src=\"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/strigah.webp\" alt=\"\" width=\"462\" height=\"463\" srcset=\"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/strigah.webp 640w, https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/strigah-600x600.webp 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 462px) 100vw, 462px\" \/>Resenha de CD originalmente publicada pelo site Cultura em Peso<\/p>\n<p>Por S\u00e9rgio \u201cMurray\u201d Martins<\/p>\n<p>Nota: 09.0\/10.0<\/p>\n<p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" dir=\"auto\" data-start=\"0\" data-end=\"1093\">A estreia da <strong data-start=\"13\" data-end=\"24\">STRIGAH<\/strong> em formato full-length com <em data-start=\"52\" data-end=\"60\">Zoetia<\/em> deixa claro que o quarteto paulistano n\u00e3o entrou em cena para simplesmente repetir f\u00f3rmulas j\u00e1 conhecidas do Metal Moderno. Formada por Kaio Felipe (vocais), Samanta Tica (baixo), Eleonardo de Paula (bateria) e Matheus Figueredo (guitarra), a banda constr\u00f3i ao longo de dez faixas e pouco mais de 47 minutos uma sonoridade que atravessa Metal Experimental, Progressivo, Industrial e vertentes modernas, sempre com uma preocupa\u00e7\u00e3o conceitual bastante evidente. O pr\u00f3prio t\u00edtulo, criado a partir da uni\u00e3o de <em data-start=\"567\" data-end=\"572\">zoe<\/em> (\u201cvida\u201d) e <em data-start=\"584\" data-end=\"592\">goetia<\/em> (\u201cfeiti\u00e7o\u201d), resume a ideia de um \u201cfeiti\u00e7o da vida\u201d, enquanto o repert\u00f3rio percorre natureza, viol\u00eancia urbana, aliena\u00e7\u00e3o digital, espiritualidade e a crise do modelo de sociedade contempor\u00e2neo. Em entrevista, Kaio definiu a <strong>STRIGAH<\/strong> como uma banda nascida do desejo de \u201cfazer arte e de levar quem nos ouve para um lugar outro\u201d, e <em data-start=\"923\" data-end=\"931\">Zoetia<\/em> realmente funciona melhor quando encarado como uma experi\u00eancia completa, e n\u00e3o como uma simples cole\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas pesadas.<\/p>\n<p dir=\"auto\" data-start=\"1095\" data-end=\"2222\">\u201cA Propriedade \u00e9 Roubo\u201d abre o disco j\u00e1 colocando as cartas na mesa. A guitarra de Matheus Figueredo trabalha riffs pesados e mudan\u00e7as de andamento, enquanto Samanta Tica e Eleonardo de Paula formam uma cozinha que n\u00e3o se limita a acompanhar as guitarras, explorando grooves, quebras e varia\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas que d\u00e3o movimento \u00e0 composi\u00e7\u00e3o. Kaio Felipe, por sua vez, alterna agressividade e interpreta\u00e7\u00e3o de maneira bastante convincente, refor\u00e7ando o car\u00e1ter de confronto da letra, que aborda explora\u00e7\u00e3o territorial, minera\u00e7\u00e3o, latif\u00fandio e viol\u00eancia contra defensores da floresta. \u201cEsp\u00edrito da Cidade\u201d e \u201cXamanismo Urbano\u201d ampliam essa identidade, principalmente a segunda, que nasceu, segundo Kaio, de uma experi\u00eancia mais experimental e de uma tentativa da banda de registrar o som de maneira mais org\u00e2nica. \u00c9 justamente nessa combina\u00e7\u00e3o entre peso e atmosfera que a <strong>STRIGAH<\/strong> come\u00e7a a encontrar seu pr\u00f3prio caminho: h\u00e1 ecos de refer\u00eancias como Meshuggah, Fear Factory, Deftones e Northlane, mas tamb\u00e9m uma conex\u00e3o assumida com nomes do underground brasileiro, como Deafkids e \u00daltima Theoria.<\/p>\n<p dir=\"auto\" data-start=\"2224\" data-end=\"3281\">Se existe uma faixa que demonstra o quanto <em data-start=\"2267\" data-end=\"2275\">Zoetia<\/em> gosta de sair da zona de conforto, \u201cMaldito Demiurgo!\u201d \u00e9 uma forte candidata. Com mais de seis minutos, a m\u00fasica mergulha em refer\u00eancias gn\u00f3sticas, trabalhando conceitos ligados ao ego, ao desejo, \u00e0 divis\u00e3o interior e \u00e0 ideia de um falso para\u00edso. A estrutura mais extensa permite que baixo e bateria sustentem diferentes momentos de tens\u00e3o enquanto a guitarra cria camadas e mudan\u00e7as que evitam uma condu\u00e7\u00e3o previs\u00edvel. \u201cFlorestas Virtuais\u201d, por outro lado, leva a discuss\u00e3o para o territ\u00f3rio da tecnologia e da aliena\u00e7\u00e3o digital, contrapondo o ambiente natural ao universo de m\u00e1quinas, redes e rela\u00e7\u00f5es virtuais. Polirritmias, grooves, efeitos de profundidade, vozes trabalhadas e mudan\u00e7as de din\u00e2mica fazem com que a m\u00fasica seja uma das s\u00ednteses mais interessantes da proposta do \u00e1lbum. O m\u00e9rito aqui est\u00e1 justamente em n\u00e3o separar mensagem e m\u00fasica: a sensa\u00e7\u00e3o de artificialidade e conflito sugerida pelo conceito aparece tamb\u00e9m na pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o instrumental.<\/p>\n<p dir=\"auto\" data-start=\"3283\" data-end=\"4321\">Outro ponto que merece aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a maneira como o quarteto equilibra momentos de maior brutalidade com passagens atmosf\u00e9ricas. \u201cMem\u00f3ria do Mar\u201d ajuda a ampliar essa dimens\u00e3o, enquanto \u201cEu Sou Tetsuo\u201d, com participa\u00e7\u00e3o do <strong data-start=\"3504\" data-end=\"3523\">UNHOLY HARAKIRI<\/strong>, aprofunda a faceta mais experimental do trabalho. J\u00e1 \u201cO V\u00f4o do Simorgh\u201d, com seus pouco mais de dois minutos, funciona quase como uma passagem de transi\u00e7\u00e3o antes de \u201cA Quebra dos Vasos\u201d, composi\u00e7\u00e3o de quase oito minutos que encerra o \u00e1lbum recorrendo ao conceito cabal\u00edstico de <em data-start=\"3803\" data-end=\"3811\">Tikkun<\/em>, relacionado \u00e0 repara\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o. Essa diversidade \u00e9 um dos grandes trunfos de <em data-start=\"3897\" data-end=\"3905\">Zoetia<\/em>, embora tamb\u00e9m seja respons\u00e1vel por sua principal caracter\u00edstica potencialmente divisiva: o disco \u00e9 denso e exige aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de um trabalho que entrega todas as suas ideias logo na primeira audi\u00e7\u00e3o; h\u00e1 muitas mudan\u00e7as, texturas e informa\u00e7\u00f5es convivendo dentro das faixas, o que pode dificultar a assimila\u00e7\u00e3o imediata, mas recompensa quem se disp\u00f5e a voltar ao \u00e1lbum.<\/p>\n<p dir=\"auto\" data-start=\"4323\" data-end=\"5415\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">No fim das contas, <em data-start=\"4342\" data-end=\"4350\">Zoetia<\/em> apresenta uma <strong data-start=\"4365\" data-end=\"4376\">STRIGAH<\/strong> consciente daquilo que pretende construir e, principalmente, disposta a n\u00e3o facilitar demais o caminho para o ouvinte. A produ\u00e7\u00e3o de Yukio Hara mant\u00e9m a instrumenta\u00e7\u00e3o suficientemente definida mesmo nos momentos mais carregados, enquanto o desempenho de Kaio, Samanta, Eleonardo e Matheus sustenta uma obra que depende bastante da intera\u00e7\u00e3o entre os quatro m\u00fasicos. O resultado \u00e9 um debut ambicioso, conceitual e sem medo de misturar Metal Moderno, Progressivo, Industrial e Experimental com discuss\u00f5es ambientais, filos\u00f3ficas, sociais e espirituais. H\u00e1 espa\u00e7o para que a banda encontre, nos pr\u00f3ximos trabalhos, pontos ainda mais imediatos dentro de suas estruturas complexas, mas <em data-start=\"5058\" data-end=\"5066\">Zoetia<\/em> j\u00e1 demonstra personalidade e uma identidade art\u00edstica muito bem delineada. Mais do que apresentar uma nova banda, a <strong>STRIGAH<\/strong> entrega aqui um disco que pede tempo, aten\u00e7\u00e3o e algumas boas audi\u00e7\u00f5es \u2014 e \u00e9 justamente quando o ouvinte aceita esse convite que as v\u00e1rias camadas do \u201cfeiti\u00e7o da vida\u201d come\u00e7am a aparecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resenha de CD originalmente publicada pelo site Cultura em Peso Por S\u00e9rgio \u201cMurray\u201d Martins Nota: 09.0\/10.0 A estreia da STRIGAH em formato full-length com Zoetia deixa claro que o quarteto paulistano n\u00e3o entrou em cena para simplesmente repetir f\u00f3rmulas j\u00e1 conhecidas do Metal Moderno. 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