{"id":63004,"date":"2026-09-16T22:17:28","date_gmt":"2026-09-16T22:17:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/?p=63004"},"modified":"2026-09-16T22:17:28","modified_gmt":"2026-09-16T22:17:28","slug":"resenha-novo-album-da-mad-sneaks-e-avaliado-pelo-jornalista-sergio-murray-martins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/resenha-novo-album-da-mad-sneaks-e-avaliado-pelo-jornalista-sergio-murray-martins\/","title":{"rendered":"Resenha: novo \u00e1lbum da Mad Sneaks \u00e9 avaliado pelo jornalista S\u00e9rgio \u201cMurray\u201d Martins"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-62862 alignleft\" src=\"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mad-sneaks-700x700.jpg\" alt=\"\" width=\"455\" height=\"455\" srcset=\"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mad-sneaks-700x700.jpg 700w, https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mad-sneaks-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mad-sneaks-600x600.jpg 600w, https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mad-sneaks-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mad-sneaks.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 455px) 100vw, 455px\" \/>Resenha de CD originalmente publicada pelo site Cultura em Peso<\/p>\n<p>Por S\u00e9rgio \u201cMurray\u201d Martins<\/p>\n<p>Nota: 09.0\/10.0<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O novo \u00e1lbum da <strong>MAD SNEAKS<\/strong>, <em>Incognito<\/em>, chega cercado por uma proposta que combina perfeitamente com a pr\u00f3pria ess\u00eancia do trio: fazer Rock sem pedir licen\u00e7a. Lan\u00e7ado em 7 de mar\u00e7o de 2026, o trabalho re\u00fane dez faixas e est\u00e1 dispon\u00edvel digitalmente de forma exclusiva no Bandcamp, al\u00e9m de uma edi\u00e7\u00e3o f\u00edsica limitada em CD. A escolha n\u00e3o \u00e9 mero detalhe, j\u00e1 que a pr\u00f3pria banda faz quest\u00e3o de afirmar que \u201cRock Org\u00e2nico n\u00e3o morreu. S\u00f3 saiu do streaming\u201d. Formada por Agno Dissan (guitarra e vocal), Amaury Johns (bateria) e Phill Andreas (baixo), a <strong>MAD SNEAKS<\/strong> trabalha sobre uma mistura de Grunge, Rock Alternativo, Punk e Stoner, recuperando a sujeira e a espontaneidade dos anos 1990 sem transformar o resultado em uma simples c\u00f3pia de seus \u00eddolos.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A abertura com \u201cDead Killer\u201d, que conta com a participa\u00e7\u00e3o especial de Page Hamilton, do Helmet, j\u00e1 deixa claro que <em>Incognito<\/em> n\u00e3o est\u00e1 interessado em apresenta\u00e7\u00f5es comportadas. A guitarra de Agno Dissan carrega boa parte do impacto do trio, enquanto o baixo de Phill Andreas ajuda a engrossar a estrutura e Amaury Johns conduz as m\u00fasicas com uma bateria direta, sem excessos, mas bastante eficiente para manter o peso e a din\u00e2mica. A parceria com Hamilton ainda acrescenta uma camada particularmente interessante ao repert\u00f3rio, aproximando a faixa do lado mais agressivo do Rock Alternativo. Na sequ\u00eancia, \u201cThe Cure\u201d mergulha em uma atmosfera mais sombria e introspectiva, enquanto \u201cPandora\u201d trabalha uma faceta mais mel\u00f3dica e emocional. Em entrevista recente, a pr\u00f3pria banda destacou justamente \u201cThe Cure\u201d, \u201cComa\u201d e \u201cBiocide\u201d como m\u00fasicas que representam bem o equil\u00edbrio buscado entre peso, cr\u00edtica, introspec\u00e7\u00e3o e vulnerabilidade.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">\u201cDirty Blood\u201d \u00e9 outro momento que merece aten\u00e7\u00e3o. Com apenas 2min15s, a faixa funciona quase como uma descarga concentrada de tens\u00e3o, explorando sentimentos de inadequa\u00e7\u00e3o, cansa\u00e7o e conflito interno. O material tamb\u00e9m ganhou um videoclipe marcado por m\u00e1scaras, sombras e fogo, imagens utilizadas para representar diferentes fragmentos da personalidade e a busca por liberta\u00e7\u00e3o das expectativas externas. J\u00e1 \u201cComa\u201d amplia esse universo emocional com uma composi\u00e7\u00e3o mais pesada e sufocante, na qual o confronto com medo, depend\u00eancia e autodestrui\u00e7\u00e3o ganha um tratamento bastante visceral. \u00c9 justamente nesse tipo de abordagem que a proposta da <strong>MAD SNEAKS<\/strong> funciona melhor: em vez de esconder as imperfei\u00e7\u00f5es atr\u00e1s de uma produ\u00e7\u00e3o excessivamente limpa, o trio aposta em uma sonoridade que preserva a sensa\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos tocando juntos, algo que os pr\u00f3prios integrantes apontam como fundamental para a identidade do disco.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Outro ponto forte aparece na segunda metade do \u00e1lbum. \u201cShots, Roses and Fire\u201d combina melodia e tens\u00e3o, enquanto \u201cLabel\u201d assume um car\u00e1ter mais provocativo ao abordar o peso dos julgamentos e dos r\u00f3tulos impostos pelos outros. \u201cMedeleine\u201d, por sua vez, retoma com for\u00e7a aquela atmosfera noventista que acompanha o grupo desde os primeiros trabalhos, e \u201cBiocide\u201d, com quase cinco minutos, talvez seja uma das faixas em que o lado mais sombrio do repert\u00f3rio se manifesta de maneira mais evidente. A hist\u00f3ria da <strong>MAD SNEAKS<\/strong> ajuda a entender essa sonoridade: ainda em sua fase inicial, o grupo j\u00e1 declarava admira\u00e7\u00e3o por Nirvana, al\u00e9m de nomes como Silverchair, Alice in Chains, Helmet, Ramones, Soundgarden e Social Distortion. A banda tamb\u00e9m trabalhou ao longo da carreira com nomes importantes da produ\u00e7\u00e3o internacional, como Jack Endino e Toby Wright, refor\u00e7ando uma conex\u00e3o com a tradi\u00e7\u00e3o do Rock Alternativo que vai muito al\u00e9m de uma simples refer\u00eancia est\u00e9tica.<\/p>\n<p>No fim das contas, <em>Incognito<\/em> funciona justamente porque n\u00e3o tenta reinventar o Grunge ou fingir que suas refer\u00eancias n\u00e3o existem. A <strong>MAD SNEAKS<\/strong> conhece muito bem o terreno em que pisa e utiliza essa bagagem para construir um \u00e1lbum que alterna peso, melancolia, ironia e vulnerabilidade com naturalidade. A banda afirma que n\u00e3o comp\u00f4s o disco pensando em algoritmos, playlists ou em descobrir uma f\u00f3rmula para alcan\u00e7ar mais pessoas, mas simplesmente em fazer o trabalho que queria fazer \u2014 e essa postura aparece na pr\u00f3pria estrutura do \u00e1lbum, pensado para ser ouvido do come\u00e7o ao fim. O resultado \u00e9 um registro honesto, org\u00e2nico e suficientemente \u00e1spero para dialogar com quem sente falta daquele Rock menos polido, mas tamb\u00e9m acess\u00edvel o bastante para conquistar ouvintes que est\u00e3o chegando agora a esse universo. <em>Incognito<\/em> n\u00e3o precisa disputar espa\u00e7o com o passado: ele simplesmente mostra que a linguagem do Rock dos anos 1990 ainda pode encontrar novos caminhos quando existe personalidade por tr\u00e1s das guitarras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resenha de CD originalmente publicada pelo site Cultura em Peso Por S\u00e9rgio \u201cMurray\u201d Martins Nota: 09.0\/10.0 O novo \u00e1lbum da MAD SNEAKS, Incognito, chega cercado por uma proposta que combina perfeitamente com a pr\u00f3pria ess\u00eancia do trio: fazer Rock sem pedir licen\u00e7a. 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