{"id":63006,"date":"2026-09-16T22:24:44","date_gmt":"2026-09-16T22:24:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/?p=63006"},"modified":"2026-09-16T22:24:44","modified_gmt":"2026-09-16T22:24:44","slug":"resenha-confira-avaliacao-do-novo-album-do-uganga-disponibilizada-pelo-blog-metal-fire-metal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/resenha-confira-avaliacao-do-novo-album-do-uganga-disponibilizada-pelo-blog-metal-fire-metal\/","title":{"rendered":"Resenha: confira avalia\u00e7\u00e3o do novo \u00e1lbum do Uganga disponibilizada pelo blog Metal Fire Metal"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-61736 alignleft\" src=\"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/7.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/>Resenha de CD originalmente publicada pelo blog Metal Fire Metal<\/p>\n<p>Por Greg M. Schurtz<\/p>\n<p>Nota: 09.0\/10.0<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Depois de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de estrada, a <strong>UGANGA<\/strong> chega a <em>Ganeshu<\/em> mostrando que renova\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa significar abandono das pr\u00f3prias ra\u00edzes. Lan\u00e7ado em 9 de maio de 2025, o oitavo \u00e1lbum de est\u00fadio da banda mineira re\u00fane dez faixas em apenas 26 minutos e transforma o Crossover em um verdadeiro caldeir\u00e3o de Thrash Metal, Hardcore, Groove, Dub, Rap, psicodelia e elementos eletr\u00f4nicos. O disco nasceu justamente em meio a uma profunda reformula\u00e7\u00e3o do grupo e, como o pr\u00f3prio Manu Joker explicou, representa \u201cum novo momento para a banda. Uma nova era\u201d, com um trabalho \u201cdireto, brutal e experimental\u201d. A grava\u00e7\u00e3o aconteceu no Rocklab Studio, em An\u00e1polis (GO), com produ\u00e7\u00e3o dividida entre Manu e Gustavo Vazquez, e a decis\u00e3o de registrar a base instrumental de forma conjunta, com uma guia vocal, ajudou a preservar aquela sensa\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia que a <strong>UGANGA<\/strong> leva para o palco.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">\u201cIgarap\u00e9s\u201d funciona como uma introdu\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e quase ritual\u00edstica antes de \u201cA Profecia\u201d entrar rasgando tudo, combinando a velocidade do Hardcore com bases de Thrash e uma guitarra particularmente eficiente de Jean Pagani. Manu Joker segue sendo o grande ponto de refer\u00eancia vocal, alternando peso, agressividade e clareza para que as letras em portugu\u00eas n\u00e3o percam for\u00e7a no meio da pancadaria. Em \u201cConfesso\u201d, a banda diminui um pouco a velocidade e deixa o Groove assumir maior protagonismo, com Juninho Silva mostrando por que sua bateria \u00e9 t\u00e3o importante para o dinamismo do \u00e1lbum: h\u00e1 peso, quebradas e mudan\u00e7as de andamento sem qualquer necessidade de transformar a m\u00fasica em uma demonstra\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. O pr\u00f3prio Manu resume bem a filosofia do disco ao recomendar que ele seja ouvido inteiro, em ordem, j\u00e1 que as m\u00fasicas \u201cse completam\u201d dentro desses pouco mais de 26 minutos.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Se existe uma faixa capaz de resumir a capacidade da <strong>UGANGA<\/strong> de juntar universos diferentes sem perder a m\u00e3o, essa \u00e9 \u201cTem Fogo!\u201d. O instrumental passeia por Thrash, Rap e breakdowns pesados, enquanto a letra dialoga com o Cerrado, destrui\u00e7\u00e3o, v\u00edcios e refer\u00eancias a Ians\u00e3, fazendo da m\u00fasica um dos grandes momentos do \u00e1lbum. A atua\u00e7\u00e3o de Juninho \u00e9 novamente decisiva, sustentando as mudan\u00e7as de clima com precis\u00e3o, enquanto as guitarras de Pagani adicionam riffs que funcionam tanto na audi\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica quanto naquele contexto de moshpit que parece ser o habitat natural da banda. \u201cSonho\u201d mant\u00e9m a altern\u00e2ncia entre passagens cadenciadas e momentos mais velozes, preparando o terreno para \u201cPsicoraio Dub\u201d, talvez a demonstra\u00e7\u00e3o mais evidente de que o grupo n\u00e3o est\u00e1 interessado em obedecer \u00e0s fronteiras convencionais do Metal. O pr\u00f3prio Manu j\u00e1 explicou que Dub e Doom possuem conex\u00f5es justamente pela combina\u00e7\u00e3o de lentid\u00e3o, peso e psicodelia \u2014 e essa liberdade de pensamento est\u00e1 espalhada por todo o \u00e1lbum.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">\u201cExu N\u00e3o Passa Pano\u201d devolve a urg\u00eancia ao repert\u00f3rio com riffs certeiros, bateria pesada e um refr\u00e3o que praticamente exige participa\u00e7\u00e3o coletiva, enquanto \u201cD.R.Ones\u201d aparece como um pequeno interl\u00fadio antes da faixa-t\u00edtulo. E \u00e9 justamente em \u201cGaneshu\u201d que todas essas experi\u00eancias parecem encontrar um ponto de converg\u00eancia. A m\u00fasica, a mais longa do disco, alterna peso, Groove, momentos mais contidos, ritmos regionais e uma conclus\u00e3o mais extrema, com Manu adotando uma interpreta\u00e7\u00e3o relativamente mais contida em determinados trechos. O conceito tamb\u00e9m \u00e9 fundamental: \u201cGaneshu\u201d \u00e9 uma entidade imaginada por Manu a partir da fus\u00e3o simb\u00f3lica de Ganesha e Exu, duas figuras associadas \u00e0 abertura de caminhos e \u00e0 remo\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos. A ideia funciona como uma esp\u00e9cie de espelho da pr\u00f3pria banda, que h\u00e1 d\u00e9cadas mistura refer\u00eancias culturais e musicais aparentemente distantes. Como o vocalista definiu em entrevista, a <strong>UGANGA<\/strong> faz \u201ccrossover livre com cheiro de coturno, incenso e ganja\u201d \u2014 e dificilmente haveria descri\u00e7\u00e3o mais adequada para este \u00e1lbum.<\/p>\n<p>\u201cPressentimento\u201d, encerrada com participa\u00e7\u00f5es de Jonas Pheer, O Eremita Roots e Isabela Melo, fecha <em>Ganeshu<\/em> de maneira coerente com toda a proposta: incorporando elementos de Rap e ampliando ainda mais o campo de atua\u00e7\u00e3o da banda sem abandonar o peso. Vale lembrar que o \u00e1lbum foi registrado por Manu Joker (voz e percuss\u00e3o), Juninho Silva (bateria e vocais), Jean Pagani (guitarra e vocais) e Raphael \u201cRas\u201d Franco (baixo e vocais), forma\u00e7\u00e3o que posteriormente passou por novas mudan\u00e7as, com Vin\u00edcius Luz e Igor Wallace assumindo guitarra e baixo, respectivamente. Mais do que simplesmente apresentar novas m\u00fasicas, <em>Ganeshu<\/em> documenta um per\u00edodo de transforma\u00e7\u00e3o e funciona como um retrato bastante honesto da <strong>UGANGA<\/strong> neste momento: curto, pesado, inquieto e disposto a experimentar. N\u00e3o \u00e9 um disco feito para quem precisa encontrar uma etiqueta confort\u00e1vel para cada faixa; \u00e9 um trabalho que pede uma audi\u00e7\u00e3o completa e recompensa justamente quando o ouvinte aceita embarcar nessa mistura de Crossover, espiritualidade, cr\u00edtica social e refer\u00eancias que v\u00e3o muito al\u00e9m do Metal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resenha de CD originalmente publicada pelo blog Metal Fire Metal Por Greg M. Schurtz Nota: 09.0\/10.0 Depois de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de estrada, a UGANGA chega a Ganeshu mostrando que renova\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa significar abandono das pr\u00f3prias ra\u00edzes. 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