{"id":63210,"date":"2026-11-04T21:20:20","date_gmt":"2026-11-04T21:20:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/?p=63210"},"modified":"2026-11-04T21:20:20","modified_gmt":"2026-11-04T21:20:20","slug":"resenha-debut-album-da-strigah-continua-ganhando-forca-na-imprensa-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/resenha-debut-album-da-strigah-continua-ganhando-forca-na-imprensa-brasileira\/","title":{"rendered":"Resenha: debut \u00e1lbum da Strigah continua ganhando for\u00e7a na imprensa brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-62663 alignleft\" src=\"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/strigah.webp\" alt=\"\" width=\"493\" height=\"494\" srcset=\"https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/strigah.webp 640w, https:\/\/www.msmetalagencybrasil.com\/ptbr\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/strigah-600x600.webp 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 493px) 100vw, 493px\" \/>Resenha de CD originalmente publicada pelo blog Avalanche Sonora<\/p>\n<p>Por Rodrigo Silva<\/p>\n<p>Nota: 09.5\/10.0<\/p>\n<p>Formada em Mau\u00e1, na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, em 2022, a STRIGAH chega ao seu primeiro \u00e1lbum completo com Zoetia, lan\u00e7ado em 29 de maio de 2026 pelo selo Coffinjoe Records. Depois de apresentar suas primeiras experimenta\u00e7\u00f5es no EP A Natureza e o Sistema (2023) e desenvolver sua identidade por meio de singles como \u201cXamanismo Urbano\u201d, \u201cEsp\u00edrito da Cidade\u201d e \u201cExtin\u00e7\u00e3o Humana Volunt\u00e1ria\u201d, o quarteto amplia consideravelmente suas possibilidades musicais. S\u00e3o dez composi\u00e7\u00f5es distribu\u00eddas em aproximadamente 47 minutos, nos quais o Modern Metal encontra elementos progressivos, industriais e experimentais. O resultado \u00e9 uma obra ambiciosa, que n\u00e3o se limita \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de estilos, mas procura estabelecer uma linguagem pr\u00f3pria, sustentada por grooves complexos, polirritmias, mudan\u00e7as inesperadas de andamento e passagens atmosf\u00e9ricas.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o tem\u00e1tica \u00e9 um dos aspectos mais interessantes do trabalho. O t\u00edtulo, criado a partir da uni\u00e3o das palavras gregas zoe (vida) e goetia (feiti\u00e7o), sintetiza a ideia de um encantamento relacionado \u00e0 exist\u00eancia e conduz uma narrativa que atravessa diferentes ambientes e conflitos. \u201cA Propriedade \u00e9 Roubo\u201d merece aten\u00e7\u00e3o pela combina\u00e7\u00e3o de riffs pesados, mudan\u00e7as r\u00edtmicas e uma interpreta\u00e7\u00e3o vocal incisiva, acompanhando uma den\u00fancia contra a explora\u00e7\u00e3o territorial, o garimpo e a devasta\u00e7\u00e3o ambiental. \u201cEsp\u00edrito da Cidade\u201d, por sua vez, transporta o ouvinte para um cen\u00e1rio de viol\u00eancia urbana, repress\u00e3o policial e desigualdade social. J\u00e1 \u201cXamanismo Urbano\u201d se destaca pela abordagem anticolonial, aproximando a agressividade musical de reflex\u00f5es sobre ancestralidade, genoc\u00eddio ind\u00edgena e destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Na guitarra, Matheus Figueredo demonstra criatividade ao explorar diferentes texturas, alternando passagens densas e riffs contundentes sem comprometer a identidade das composi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c0 frente dos vocais, Kaio Felipe apresenta uma interpreta\u00e7\u00e3o que combina agressividade, expressividade e diferentes nuances, contribuindo diretamente para a atmosfera inquietante do repert\u00f3rio. Sua participa\u00e7\u00e3o ganha especial relev\u00e2ncia em \u201cMaldito Demiurgo!\u201d, composi\u00e7\u00e3o de mais de seis minutos que mergulha em refer\u00eancias gn\u00f3sticas para abordar quest\u00f5es relacionadas ao ego, aos desejos humanos e \u00e0 divis\u00e3o interior. Outro momento interessante \u00e9 \u201cFlorestas Virtuais\u201d, cuja proposta estabelece um paralelo entre a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e o distanciamento provocado pela depend\u00eancia tecnol\u00f3gica. A maneira como a banda trabalha as mudan\u00e7as de din\u00e2mica e as camadas atmosf\u00e9ricas nessas duas m\u00fasicas demonstra preocupa\u00e7\u00e3o em fazer com que os arranjos dialoguem com os assuntos abordados. Em entrevista concedida ao portal ReiDjou!, Kaio definiu a ess\u00eancia do grupo como o desejo de fazer arte e levar o p\u00fablico a outro lugar, uma declara\u00e7\u00e3o que encontra correspond\u00eancia na proposta conceitual deste primeiro \u00e1lbum.<\/p>\n<p>Samanta Tica, respons\u00e1vel pelo baixo, tamb\u00e9m exerce papel importante na constru\u00e7\u00e3o da sonoridade. Sua execu\u00e7\u00e3o oferece sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0s composi\u00e7\u00f5es, acompanhando as varia\u00e7\u00f5es de andamento e os grooves que constituem uma das principais caracter\u00edsticas do disco. Em vez de permanecer restrita a uma fun\u00e7\u00e3o de apoio, a linha instrumental participa da din\u00e2mica dos arranjos e contribui para a densidade das passagens mais experimentais. Essa caracter\u00edstica aparece com propriedade em \u201cEu Sou Tetsuo\u201d, que conta com a participa\u00e7\u00e3o de Unholy Harakiri e explora imagens de dissocia\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia urbana e transforma\u00e7\u00e3o corporal. Na sequ\u00eancia, \u201cO Voo do Simorgh\u201d, breve composi\u00e7\u00e3o instrumental inspirada em uma figura mitol\u00f3gica persa, proporciona uma mudan\u00e7a de atmosfera e prepara o terreno para \u201cA Quebra dos Vasos\u201d, encerramento de quase oito minutos que recorre \u00e0 cabala judaica e ao conceito de repara\u00e7\u00e3o espiritual.<\/p>\n<p>Na bateria, Eleonardo de Paula demonstra seguran\u00e7a ao acompanhar as estruturas menos convencionais do repert\u00f3rio, alternando passagens vigorosas, acentua\u00e7\u00f5es complexas e varia\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas que ajudam a evitar a previsibilidade. A produ\u00e7\u00e3o de Yukio Hara, respons\u00e1vel pela mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m merece reconhecimento por preservar a defini\u00e7\u00e3o dos instrumentos mesmo diante das camadas mais carregadas. Naturalmente, a densidade das composi\u00e7\u00f5es e a quantidade de informa\u00e7\u00f5es presentes em determinados momentos podem exigir mais de uma audi\u00e7\u00e3o, sobretudo de quem prefere estruturas tradicionais e refr\u00f5es imediatos. Entretanto, essa caracter\u00edstica n\u00e3o compromete a proposta; pelo contr\u00e1rio, evidencia a disposi\u00e7\u00e3o da STRIGAH em explorar caminhos menos convencionais. Zoetia \u00e9 uma estreia consistente, instigante e conceitualmente bem constru\u00edda, na qual cr\u00edtica social, experimenta\u00e7\u00e3o musical e espiritualidade encontram espa\u00e7o para coexistir. Mais do que apresentar dez m\u00fasicas, o quarteto entrega uma obra que desafia conven\u00e7\u00f5es e demonstra personalidade suficiente para conquistar seu pr\u00f3prio espa\u00e7o no cen\u00e1rio do Metal brasileiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resenha de CD originalmente publicada pelo blog Avalanche Sonora Por Rodrigo Silva Nota: 09.5\/10.0 Formada em Mau\u00e1, na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, em 2022, a STRIGAH chega ao seu primeiro \u00e1lbum completo com Zoetia, lan\u00e7ado em 29 de maio de 2026 pelo selo Coffinjoe Records. 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