Resenha de CD originalmente publicada pelo blog Avalanche Sonora
Por Rodrigo Silva
Nota: 08.0/10.0
Formada em 2017, em Nova Friburgo (RJ), a BRUTHUS vem construindo uma trajetória marcada pela combinação de Rock, Heavy Metal, Crossover e influências do Thrash Metal, sempre acompanhada de letras em português e uma boa dose de irreverência. Depois de apresentar o EP O Sacode e consolidar sua identidade com o álbum Comigo Não (2019), o trio ampliou sua discografia com singles como “Nocaute” (2020) e “Ladrão” (2023). Lançada em 29 de maio de 2026, “Sexta-Feira” chega para reforçar essa personalidade, demonstrando uma banda cada vez mais segura de suas escolhas. Com pouco mais de três minutos, a composição aposta na objetividade e na energia, sem perder de vista os elementos que tornaram o grupo reconhecível na cena independente brasileira.
A temática da música é um dos seus aspectos mais interessantes. Partindo de uma situação bastante familiar, a chegada da tão aguardada sexta-feira depois de uma semana de compromissos e responsabilidades, a BRUTHUS transforma o sentimento de cansaço acumulado em uma espécie de catarse sonora. A abordagem é direta, descontraída e facilmente assimilável, sem a necessidade de recorrer a construções excessivamente elaboradas. Essa característica está alinhada ao pensamento apresentado pelos integrantes em entrevista ao Cultura em Peso, em maio de 2025, quando explicaram que a banda nasceu do desejo de fazer música pesada em português, abordando as dificuldades e histórias do cotidiano, mas sem deixar de lado a diversão e o profissionalismo. “Sexta-Feira” representa bem essa filosofia, encontrando na simplicidade temática uma maneira eficiente de estabelecer identificação com o ouvinte.
No aspecto instrumental, o destaque fica por conta dos riffs de Eduardo Peixe, cuja participação na construção das bases musicais é reconhecida pelos próprios companheiros. Em entrevista à Road to Metal, em janeiro de 2025, Gustavo Zebs revelou que Eduardo e o então baterista Alexandre Sorin eram os principais responsáveis pelo desenvolvimento das estruturas das composições, com os demais integrantes contribuindo posteriormente para os arranjos, as linhas de baixo e as letras. Em “Sexta-Feira”, essa preocupação com a construção de riffs marcantes se traduz em uma execução vigorosa, acompanhada por uma cozinha pesada e dinâmica. Gustavo Zebs, por sua vez, acrescenta consistência às frequências graves e mantém a interpretação vocal rasgada e espontânea que combina com a proposta do grupo.
A formação atual também merece atenção. Além de Eduardo Peixe e Gustavo Zebs, a BRUTHUS conta com Andre Campanati na bateria, músico anunciado oficialmente em novembro de 2025, após a saída de Alexandre Sorin por motivos profissionais. A mudança representa uma nova etapa para o quarteto, que já demonstrava entusiasmo com a possibilidade de trabalhar em novas composições e ampliar suas atividades. Outro aspecto importante permanece sendo a opção por cantar em português, escolha defendida pelos integrantes em diferentes entrevistas como um dos principais diferenciais da banda. A utilização de expressões cotidianas favorece a identificação com o público e reforça a espontaneidade das letras, enquanto a mistura de referências do Heavy Metal tradicional ao Thrash e ao Crossover garante a sustentação de uma identidade musical própria.
No balanço geral, “Sexta-Feira” é um lançamento bastante satisfatório e confirma que a BRUTHUS sabe explorar suas principais qualidades sem depender de fórmulas complicadas. A música não pretende revolucionar o Rock pesado, mas entrega exatamente aquilo que se propõe: riffs contundentes, interpretação enérgica, uma temática acessível e uma sonoridade que combina agressividade com diversão. A recepção também tem sido positiva, com avaliações publicadas pelos portais Fullrock, Brazil Legion e Metal Fire Metal, que destacaram a consistência instrumental e a personalidade do single. O mérito do trio está em compreender que uma boa composição não precisa necessariamente de grandes artifícios para funcionar. Com uma trajetória construída na base do trabalho autoral e da proximidade com o público, a BRUTHUS apresenta mais uma música que tem todos os ingredientes para ganhar força nas apresentações ao vivo.
Notícia mais antiga: Resenha: confira nova resenha do debut CD da JORDAN’S EMPIRE OF DREAMS pelo blog Avalanche Sonora »


